Unidas pela fé na igualdade de gênero
Representantes de várias religiões de Londrina participaram de evento que debateu a experiência feminina dentro da teologia
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sábado, 07 de março de 2020
Representantes de várias religiões de Londrina participaram de evento que debateu a experiência feminina dentro da teologia
Marcos Roman - Grupo Folha 

Representantes de diferentes pensamentos religiosos participaram na manhã deste sábado (7), da terceira edição da Roda de Diálogo com o tema “Teologia é coisa de mulher: experiências de fé pública”. Promovido pelo Coletivo EIG (Evangélicas pela Igualdade de Gênero), o encontro aconteceu no auditório da Prefeitura Municipal de Londrina, com entrada gratuita.
“Esse coletivo foi criado no Brasil em 2015 e existe no Paraná há três anos. O objetivo é promover a igualdade de gênero a partir dos espaços religiosos e discutir ações de enfrentamento da violência contra a mulher”, afirmou a assistente social e colaboradora do coletivo EIG, Maria Inez Barbosa Marques. “Mais do que reivindicar a igualdade de gênero, nós queremos lutar para que as mulheres continuem vivas. Estatísticas apontam que atualmente acontecem cerca de sete feminicídios no Brasil por dia. Isso é gravíssimo”, salientou Regina Escudeiro, professora do Departamento de Comunicação da UEL (Universidade Estadual de Londrina).
A roda de diálogos foi composta pela pesquisadora em religião e religiosidades Claudia Neves, que é docente da UEL e coordenadora do grupo de pesquisa “História, Sociedade e Religião”. “Ao mesmo tempo em que a igreja reforça a opressão contra a mulher, também possibilita o encontro para discutir problemas entre iguais, permitindo que ocorre uma troca que possibilita a libertação”, destacou.
“É preciso que se faça uma releitura daquilo que a Bíblia fala do papel da mulher dentro da sociedade, pois perante Deus somos todos iguais”, enfatizou Sueli Aparecida Silva, teóloga e membro da Igreja Batista. Abadessa do Templo Dokozan Bushinji, de Rolândia, a monja Jishun Morioka lembrou que o zen budismo prega o respeito em todas as relações humanas. “Seja homem ou mulher, é preciso trabalhar o respeito, a tolerância e a abertura para aceitar a existência de pensamentos diferentes dos nossos”.
Integrante da Casa Espírita Meimei, Denise Godinho reforçou a importância da existência de várias religiões para atender as mais variadas demandas. “Convicção não se impõe. Temos que respeitar a pluralidade de existência e lembrar que Deus disse: Amai-vos uns aos outros”, disse. “Vamos nos unir nas nossas diferenças e nos fortalecer”, propôs Luzimara Almudi dos Santos, representante do catolicismo.
Representante do candomblé, Ekedji Gisélia Nascimento Scheffer ressaltou que na religião de matriz africana é muito claro o caminho entre o social e o espiritual. “A presença do feminino é muito forte na nossa religião e trabalhamos no sentido do respeito mútuo, com funções complementares divididas entre homens e mulheres. Mas temos consciência de que precisamos lutar para que as mulheres conquistem esse mesmo respeito fora dos nossos barracões, pois sabemos que isso não acontece nos ambientes externos”, afirmou.
A reunião do coletivo EIG integra o calendário municipal de ações alusivas ao 8 de março, Dia Internacional da Mulher. O evento contou com a presença da secretária municipal de Políticas Públicas para Mulheres, Nadia Oliveira, e da promotora da Vara Maria da Penha de Londrina, Zilda Romero.


