Curitiba- Em Curitiba, o Centro Vida é especializado no atendimento a crianças e adolescentes com idades entre 7 e 17 anos e que tenham apresentado dependência de álcool ou outras drogas. A unidade trabalha com a valorização do adolescente e a aproximação com a sociedade e com a família. O tratamento não é baseado em internações prolongadas. Ao contrário. Os pacientes são atendidos individualmente por psiquiatras e psicólogos e encaminhados para programas de música, arte, atividades desportivas, profissionalizantes e pedagógicas.
O adolescente E.L., de 16 anos, chegou à unidade há uma semana. Ele era viciado em maconha, álcool e cola de sapateiro. Em sete dias, o adolescente já se sente reintegrado na sociedade. Conseguiu reduzir o vício e pretende se inserir em programas diários da unidade. ''Comecei a fumar maconha e outras drogas depois que perdi meu melhor amigo. Ele morreu. Eu fiquei muito decepcionado e foi um passo para eu entrar nas drogas. Agora quero esquecer meu vício com as atividades que encontrei aqui'', disse ele.
E.L. está fazendo aula de break (uma dança da juventude hip hop) e capoeira. Ele ainda frequenta os encontros semanais com psicólogos e psiquiatras. O pai dele já acompanhou o filho e quer auxiliar no progresso do garoto. ''Eu já senti a diferença e estou gostando das atividades que desenvolvo aqui. Tenho certeza que terei progressos com o tempo'', afirmou.
A enfermeira Simone Marie Perotta, coordenadora do Centro Vida e autoridade sanitária municipal, acredita que os Caps estão conseguindo resgatar as crianças e os adolescentes do vício. ''A oferta de dispositivos de tratamento e o tempo que ficamos com os pacientes nos possibilita reverter uma dependência química grave de forma mais racional e equilibrada. Temos um leque de atendimentos que possibilita a eficácia do tratamento'', declarou ela.
Dos pacientes que frequentam a unidade, 70% são meninos e têm problemas com drogas. Cerca de 50% aderem ao tratamento completamente, o que reduz as chances de recaídas. Menos de 5% dos pacientes são encaminhados para internamentos, que não podem ultrapassar 15 dias. ''O internamento é a última alternativa. Apenas quando existe risco de saúde, quando há alto nível de agressividade, quadros de depressão profundos'', diz Simone Marie.
A enfermeira define: ''Estamos trabalhando para recuperar uma dívida social que temos na área de saúde. A gente tutelou clientelas em locais inadequados, como os hospitais psiquiátricos. Colocamos barreiras e muros altos para separá-los da sociedade. Agora estamos fazendo o caminho inverso. Estamos abrindo os muros e levando esses pacientes de volta para a sociedade.''(L.P.)

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