Unidade da UFRJ sofre com corte de verbas para pesquisa
São Paulo, 07 (AE) - A suspensão dos repasses de verbas do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) para projetos de pesquisa está afetando até mesmo instituições que têm alto percentual de sua pesquisa financiado pela iniciativa privada. É o caso da Coordenação de Programas de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe), da Universidade Federal do Rio de Janeiro
núcleo de excelência reconhecido internacionalmente na produção de tecnologia de ponta, que hoje tem cerca de 35% de seu orçamento proveniente da iniciativa privada (percentual superior ao dos mais importantes centros de pesquisa no mundo).
"Quando falta a parte do governo, inviabiliza-se a manutenção de equipamentos e laboratórios, o que compromete nossa capacidade de captar recursos na iniciativa privada; a expectativa era a de um ano difícil de contingenciamento, mas está sendo inviável, ninguém consegue administrar um corte de 100% nas verbas", queixa-se Segen Estefen, diretor da Coppe.
Situação dramática - A situação, segundo Estefen, é muito mais dramática em outras áreas de pesquisa da UFRJ e em várias instituições do País, que têm menos verbas da iniciativa privada. A dívida da Finep com a Coppe já chega a mais de R$ 6 milhões, que deveriam ter sido repassados desde agosto. No ano passado, o governo só repassou R$ 4 milhões dos R$ 10 milhões previstos.
A interrupção dos repasses estende-se a todos os programas apoiados pela Coppe, sejam eles dependentes de verbas orçamentárias, como o Fundo Nacional de Desenvolvimento em Ciência e Tecnologia (FNDCT) e o Programa de Apoio a Núcleos de Excelência (Pronex), de financiamentos internacionais, como o Programa de Apoio ao Desenvolvimento em Ciência e Tecnologia (PABCT) - apoiado pelo Banco Mundial -, ou a Rede de Cooperativas de Pesquisa, que depende de recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento.
Ao todo, a Coppe tem 45 projetos de pesquisa afetados pela interrupção dos repasse, a maior parte programas de desenvolvimento de tecnologia de ponta em parceria com empresas privadas.
"A descontinuidade das políticas para ciência e tecnologia é pior do que ter poucas verbas, porque perdemos credibilidade entre os parceiros e, às vezes, perdemos até investimentos já feitos: por exemplo, equipamentos comprados que ficam presos na alfândega, pagando armazenagem", diz ¶ngela Uller, diretora de Convênios da Coppe.
A interrupção do repasse dos recursos, segundo Estefen, tem levado muitos pesquisadores a se redirecionar para outras áreas e até a aceitar convites para trabalhar no exterior. " Em ciência e tecnologia, as coisas demoram para florescer, mas morrem muito rápido", adverte Estefen. "As piores consequências disso serão sentidas pelo País nos próximos anos, quando teremos de importar tecnologia que poderia ter sido produzida aqui", destaca.
As atividades de pesquisa da Coppe também estão sendo afetadas pela proibição de contratações e pela redução no número de bolsas pagas pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Entre 1997 e 1999, o número de bolsas de doutorado oferecidas pela Capes a pesquisadores da Coppe caiu 21%, enquanto as de mestrado foram reduzidas em 11%. Só o Conselho Nacional para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) aumentou em 10% o número de bolsas para doutorado, mas reduziu em 15% as de mestrado.
Redução - Os cortes provocaram uma redução no número de alunos de pós-graduação da Coppe, o que provocará uma queda no número de teses e de recursos humanos produzidos. A instituição forma anualmente cerca de 100 doutores e mais de 250 mestres. "Proibidos de contratar, acabaremos perdendo pesquisadores importantes que estão concluindo bolsas de pós-doutorado e gente que estaria voltando agora do exterior", explica Estefen.





