Unicef retrata mundo desolador para a infância
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segunda-feira, 11 de junho de 2001
De Nova York 
A ONU fotografou o estado do mundo para a infância do terceiro milênio revelando que mais de 10 milhões de crianças morrem a cada ano devido a causas que poderiam ser prevenidas, 150 milhões de menores estão mal alimentados e 100 milhões - dos quais 60% são meninas - não frequentam a escola.
Os resultados são mistos, porque há boas e más notícias, declarou o chefe da Unicef (organismo das Nações Unidas para a Infância), Carol Bellamy, ao inaugurar os trabalhos da sessão preparatória da cúpula da ONU sobre a infância, programada para setembro.
Entre as boas notícias, Bellamy anunciou a erradicação total da poliomielite, uma queda na mortalidade na faixa das crianças com menos de 5 anos e um aumento da alfabetização na década transcorrida desde a primeira cúpula mundial sobre a infância, em 1990.
Bellamy observou, porém, que os progressos obtidos não satisfazem a Unicef ao dizer que a comunidade internacional não atingiu seus objetivos.
Da conferência preparatória da cúpula de setembro participarão 3 mil delegados de governos e organizações não-governamentais.
A primeira cúpula, no final da Guerra Fria, tinha previsto uma transferência de dinheiro público para a infância de milhões de dólares destinados a gastos militares.
Mas as esperanças, observou um informe da Unicef, foram frustradas pela explosão de conflitos étnicos nos Bálcãs, na África e em outras partes do mundo, onde as mulheres e as crianças se transformaram em alvo ou vítimas colaterais das guerras. Mas não são apenas os conflitos armados os que ameaçam a infância em distintas partes do planeta.
Até hoje, diz o estudo da Unicef, nos países em vias de desenvolvimento, entre 12% e 14% dos orçamentos se destinam a serviços sociais elementares.
Por sua vez, o mundo rico concede apenas 10% dos fundos para a cooperação
destinada às necessidades da infância nos países pobres. (Ansa)


