Unicef retira 13 mil crianças dos lixões
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terça-feira, 13 de março de 2001
Wilson Silveira Agência Folha De Brasília 
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) anunciou ontem o resultado de uma pesquisa que indica a retirada de 13.230 crianças de lixões de 194 cidades brasileiras desde junho de 1999, quando foi lançada a campanha Criança no Lixo Nunca Mais.
Ao todo, segundo levantamento do Unicef que levou à criação da campanha, existiam naquela época 43.320 crianças trabalhando em lixões de 3.800 cidades brasileiras. A meta da campanha é extinguir o trabalho infantil no lixo até o final do ano que vem.
Ao anunciar os primeiros resultados da campanha, a representante do Unicef no Brasil, Reiko Niimi, e o ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, lançaram o manual Do Lixo à Cidadania - Estratégias para a Ação.
Segundo o levantamento, a região de onde foram retiradas mais crianças de lixões foi a Nordeste - 5.566 em 68 cidades. As cidades que mais retiraram crianças das ruas e dos lixões, segundo a pesquisa, foram Natal-RN (510), Aracaju-SE (509), Curitiba-PR (488), Campo Grande-MS (400), Olinda-PE (392) e Salvador-BA (350).
A maior parte dos recursos da campanha vem do governo federal - R$ 51 milhões no ano passado, destinados a 156 municípios, mais os programas de Bolsa-Escola. A maior parte dos recursos federais foi destinada à construção e recuperação de aterros sanitários. O Unicef contribuiu com US$ 450 mil no ano passado e destinou US$ 350 mil neste ano - que, em valores atualizados, somam R$ 1,6 milhão.
A pesquisa divulgada ontem foi feita com base em informações fornecidas por prefeituras, pela organização não-governamental Missão Criança e pelo Programa de Erradicação do Trabalho Infantil do governo federal.
A representante do Unicef, Reiko Niimi, disse que o ideal é que não haja lixões (depósitos de lixo a céu aberto). Um dos objetivos da campanha, afirmou, é promover a conscientização sobre a coleta seletiva e reciclagem do que puder ser reciclado. O que não for reciclável, disse, deve ser colocado em aterros aos quais a população não tenha acesso.


