Unicef descobre aumento no número de mortes infantis no Iraque
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quarta-feira, 11 de agosto de 1999
Por Edith M. Lederer 
NAÇÓES UNIDAS (AE-AP) - A primeira pesquisa sobre mortalidade infantil no Iraque realizada após a Guerra do Golfo mostra uma dramática alta destas taxas nas áreas controladas pelo governo. A investigação mostrou também um significante declínio desses números nas áreas autônomas ao norte, informou o Fundo das Nações Unidas para Crianças.
A diretora executiva da Unicef, Carol Bellamy, disse que os resultados revelam o estado de emergência humanitária em que o país se encontra. Funcionários da Unicef dizem que o problema foi agravado pelas sanções econômicas, as duas guerras das quais o Iraque tomou parte e também pelo colapso da economia.
O resultado da pesquisa irá inflamar ainda mais os debates no Conselho de Segurança da ONU, que vem discutindo o relaxamento das sanções impostas depois da invasão ao Kuwait em 1990. As sanções foram atenuadas em troca da promessa iraquiana de eliminar suas armas de destruição em massa. Bellamy afirmou que a Unicef reconhece a utilidade das sanções comerciais, que são utilizadas pela comunidade internacional para promover a paz e a segurança, "mas acreditamos que elas deveriam ser feitas de uma forma que os impactos negativos sobre as crianças fossem evitados".
As descobertas da Unicef reforça as informações obtidas em recentes relatórios da ONU: a ajuda humanitária é mais eficaz em áreas que não são controladas pelo presidente Saddam Hussein.
De acordo com a pesquisa, nas áreas controlada pelo governo (centro e sul do país), onde moram 85% da população, a taxa de mortalidade de crianças menores de 5 anos é duas vezes maior do que há 10 anos. Entre 1984 e 1989 ocorreram 56 mortes de crianças nesta faixa etária por cada 1.000 nascidas vivas. Este número subiu para 131 entre 1994 e 1999, o que iguala as taxas de mortalidade infantil iraquianas às encontradas em países como o Haiti e o Paquistão.
Na região autônoma do norte, as taxas de mortalidade infantil caíram cerca de 20%. Entre 1989 e 1994, os números indicavam 72 mortes por 1000 crianças nascidas vivas, índice que caiu para 72 mortes ente 1994 e 1999. Bellamy lembrou que as taxas de mortalidade infantil no Iraque caíram nos anos 80 e se tivessem seguido desta tendência, meio milhão de mortes de crianças até 5 anos teriam sido evitadas no período entre 1991 e 1998. Ela lembra, porém, que estes dados podem ser considerados como um esforço do Iraque para mobilizar oposição contra as sanções da ONU.
A Unicef pede para que a comunidade internacional providencie fundos adicionais para as ações humanitárias no Iraque. A entidade pediu ao Comitê da ONU que inspeciona as sanções e ao governo do Iraque que dêem prioridade a contratos que tenham um impacto direto no bem-estar das crianças. Além disso, sugeriu que o governo deveria implementar programas de nutrição e adotar uma política de amamentação.
A Unicef fez o levantamento dos dados em cerca de 24 mil residência nas regiões sul e central do Iraque em conjunto com o governo iraquiano e 16 mil no norte, com a ajuda das autoridades locais. Bellamy afirmou que as pesquisas foram revistas por um grupo de peritos independentes. O chefe dos estatísticos da Unicef, Gareth Jones, disse que a margem de erro nestes casos é de aproximadamente 5%.
Num esforço de ajudar a população iraquiana a enfrentar as sanções, a ONU tem permitido que o Iraque venda quantidades limitadas de petróleo para a compra de comida, remédios e outros serviços essenciais desde 1996. Ao rever este programa, o secretário geral da ONU, Kofi Annan, afirmou que bilhões de dólares em comida e medicamentos foram distribuídos, mas lembrou que o programa não é capaz de atender a todas as necessidades do povo iraquiano. Enquanto a ONU promove operações de socorro no norte do país, tem que acreditar que o governo iraquiano faz a sua parte nas regiões sul e central.


