Abuja (AE-IPS) - Doze milhões de crianças com menos de cinco anos morrem a cada ano de enfermidades evitáveis como o sarampo, 160 milhões não recebem os nutrientes mínimos para uma vida saudável e muitos sofrem de desnutrição grave, denunciou a Unicef.
Carol Bellamy, que visitou a Nigéria pela primeira vez como diretora executiva da Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), disse que outros 250 milhões de crianças menores de 15 anos "trabalham em condições de desproteção e não têm educação básica". "Cerca de 130 milhões de crianças em idade escolar, em sua maioria meninas, não assistem às aulas", disse Bellamy em uma reunião organizada pela Unicef e pelo Ministério de Assuntos da Mulher e Desenvolvimento da Juventude da Nigéria, realizada em Abuja. "Mesmo que nos demos conta de que onde a política nacional não se baseia em instituições democráticas, sua formulação e implementação podem não responder às verdadeiras necessidades se as pessoas permanecem alienadas e perdem a confiança. Parte de nosso desafio é reavivar a esperança...Há uma grande brecha entre nossas aspirações e os resultados obtidos em áreas muito significativas", agregou.
A reunião, que terminou com a leitura de um comunicado de duas páginas, foi realizada "para avaliar as condições das crianças nigerianas e as tendências das mesmas durante os anos 90 e fazer recomendações para melhorar a situação". No comunicado, os participantes recomendaram que se aumente o pressuposto fiscal atual, de menos de 7%, destinado ao financiamento de serviços sociais básicos, para pelo menos 20% antes do final do ano 2000. Os participantes, entre os quais havia organizações não governamentais, o corpo diplomático e outras agências da Organização das Nações Unidas, fizeram um chamado "para que o governo dê acesso ao cuidado cedo e ao desenvolvimento de todas as crianças nigerianas". "Deve-se aumentar a consciência e o apoio para uma melhor supervisão e a redução das dispariedades e violações dos direitos das crianças, especialmente das meninas", afirmou o comunicado.
Os delegados também pediram com urgência aos legisladores que adotem uma lei sobre a infância proposta há mais de seis anos. Esta lei amortiza todas as leis relacionadas às crianças e incorpora as disposições da Convenção sobre os Direitos das Crianças que já foi ratificada pela Nigéria e por outras 190 nações. Somente os Estados Unidos e a Somália não a ratificaram. Para Bellamy, "a Nigéria deve afirmar o compromisso de seus líderes e de seu povo com a Convenção sobre os Direitos das Crianças mediante um ambiente legislativo adequado". "A aprovação de um projeto de lei sobre a infância deveria ser considerada como parte dos assuntos pendentes desta década", afirmou.

mockup