Unicef alerta sobre falta de qualidade do ensino no Brasil
Garantir o acesso à educação não basta para o Brasil atingir um índice de escolaridade que o torne competitivo no mercado mundial. O aumento do número de alunos matriculados nas escolas precisa ser acompanhado de mais qualidade no ensino. O alerta é do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).
A qualidade da educação no Brasil deixa a desejar, criticou ontem o representante do Unicef no País, Agop Kayayan, ao divulgar oficialmente o relatório Situação Mundial da Infância. Kayayan deu nota 5 para o ensino brasileiro, mas atribuiu 8 ao esforço do País, que colocou 95,8% das crianças de 7 a 14 anos nas escolas do ensino fundamental.
O Unicef relacionou os desafios a ser enfrentados no segundo mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso: além da qualidade de ensino, é preciso expandir a educação de nível médio e técnico; pôr nas escolas 1,2 milhão de crianças de 7 a 14 anos, contingente que constitui a mão-de-obra infantil e os portadores de deficiências físicas e mentais.
A educação faz ou quebra um país, alertou o representante do Unicef. Não é só questão de dar condições melhores para a criança, mas de investimento nacional. A qualidade dos serviços e produtos, disse Kayayan, é proporcional ao nível de educação do trabalhador. Na Argentina, onde o trabalhador tem oito anos de escolaridade, vai fazer um carro melhor e a preço menor do que no Brasil, onde a escolaridade média é de quatro anos, disse.
Para o combate ao trabalho infantil, ele defendeu a concessão de bolsas para as famílias que mantêm os filhos na escola, a exemplo do que ocorre no Distrito Federal. Não adianta simplesmente dizer para a criança não trabalhar e ir à escola, pois sua família precisa da renda, exemplificou. Aplicar a lei (que proíbe o trabalho infantil no País) seria uma coisa terrível sem uma solução para o problema econômico.
Um dos participantes da Conferência Mundial sobre Educação para Todos, na Tailândia, em 1990, o Brasil apresentou avanços em relação às metas estabelecidas. O representante do Unicef citou a melhoria dos livros didáticos, a descentralização administrativa, a criação de um fundo de financiamento do ensino fundamental, a elaboração de novos parâmetros curriculares e a avaliação do ensino básico sob responsabilidade do Ministério da Educação (MEC).
Mas o País ainda tem altos e preocupantes índices de repetência e evasão escolar. Dos 35,8 milhões de alunos do ensino fundamental matriculados em 1998, pelo menos 10 milhões repetiram de ano, consideradas as estatísticas do MEC. Segundo dados do Unicef, entre 1990 e 1995, 71% dos estudantes brasileiros que ingressaram na 1ª série chegaram à 5ª série, índice que chegou a 84% no México, 92% no Chile, 94% no Uruguai, 99% nos Estados Unidos e 100% na Alemanha. O Brasil está melhorando, mas isso não quer dizer que estejamos perto do ideal, disse Kayayan. O caminho que o País tomou é certo, mas ainda vai precisar de maior eficiência.Agência EstadoPrecariedadeKayayan deu nota 5 para o ensino brasileiro: A qualidade da educação no Brasil deixa a desejarAgência Estado





