CAMPINAS - O perito Ricardo Molina de Figueiredo, responsável pelo departamento de fonética forense da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), informou ontem que a análise da fita com imagens de policiais agredindo moradores da favela Naval, em Diadema, permitirá saber se os tiros disparados pelo soldado Otávio Lourenço Gambra, o Rambo, contra o escrituário Mário José Josino, no dia 7 de março, eram mesmo de festim, como alega o policial. O escriturário morreu baleado depois de uma blitz.
A análise da fita também poderá esclarecer o que os policiais acusados conversavam quando agrediam os moradores durante a blitz. O laboratório de fonética forense da Unicamp dispõe de equipamentos digitais capazes de identificar com precisão sons e imagens. Figueiredo informou, através de sua assessoria, que pela comparação de padrões sonoros será possível saber se os tiros disparados por Gambra eram de festim ou não.
O deputado estadual Carlos Sampaio (PSDB), que preside a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apura a violência dos policiais em Diadema, encaminhou ontem à Unicamp o pedido para que a fita seja análisada. Segundo ele, seria importante esclarecer o que os soldados conversavam durante a blitz. ‘‘Isso pode confirmar suspeitas ou trazer novas revelações’’, diz.
No dia 1º de abril, o perito da Unicamp divulgou um laudo que incrimina os policiais do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) envolvidos numa ação que resultou na morte do comerciante Oswaldo Manoel da Silva, dia 1º de fevereiro, em Santo André. Analisando as imagens e os sons das fitas que gravaram a operação policial, os peritos conseguiram demonstrar que o comerciante ainda estaria vivo quando foi levado para o camburão da polícia. O tiro fatal teria sido disparado dentro do veículo, com a vítima já dominada.

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