Unicamp usa pinça óptica para analisar células sanguíneas
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segunda-feira, 10 de maio de 1999
Por Clayton Levy 
Campinas, 11 (AE) - Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) desenvolveram uma técnica inédita para analisar células do sangue, usando a tecnologia da pinça óptica. Com o campo magnético produzido por um feixe de raios laser, pode-se "pinçar" as células e manipulá-las. O método, apresentado pela primeira vez em 1996, durante um congresso de hemoterapia nos Estados Unidos, está sendo aplicado experimentalmente pelo hemocentro da instituição, para a análise de glóbulos vermelhos do sangue estocado.
"Com a nova técnica, podemos medir com precisão a elasticidade das hemácias", explica o diretor do hemocentro, Wagner Castro. Cada glóbulo vermelho mede, em média, de 7 a 9 milésimos de milímetro. Segundo ele, a elasticidade é um fator fundamental, porque na corrente sanguínea, as células tem de passar por espessuras que não medem mais de 3 milésimos de milímetro.
As primeiras análises indicam que em trinta dias, as hemácias de 30% do sangue armazenado perdem a flexibilidade. Com isso, o material coletado deixa de ser indicado para aplicação em portadores de determinadas doenças, como a anemia falciforme. "A técnica permitirá um melhor controle da qualidade do sangue e o desenvolvimento de novos conservantes", diz Castro.
Método - O método consiste em "pinçar"a hemácia com o raio laser e submetê-la a viscosidade do sangue em movimento. Atualmente, a análise é feita com uma pipeta de sucção, que é um procedimento mecânico, mais demorado e incapaz de evitar contaminações. "Com a pinça óptica, ganhamos tempo, precisão e praticamente descartamos a possibilidade de contaminação", explica Castro.
Desenvolvida em 1986 pelo físico Arthur Ashkin, a tecnologia da pinça óptica foi trazida há oito anos para o Brasil, por outro pesquisador da Unicamp, o físico Carlos Lenz Cesar. Ele conheceu o método em 1988, no Bell Labs, uma das mais conceituadas instituições científicas do Estados Unidos, onde cursou o pós-doutorado. Só no final do ano passado, porém, os pesquisadores brasileiros conseguiram, pela primeira vez no Brasil, pinçar uma célula sem contato mecânico.
Para produzir a pinça, os pesquisadores utilizam laser infravermelho, que não danifica o objeto observado. Outros tipos de laser, cuja luz é visível, segundo Cesar, queimaria o material em análise. O equipamento para produzir a pinça, que inclui a projeção dos feixes de luz e microscópicos eletrônicos, custa cerca de R$ 100 mil.
"A técnica oferece muitas vantagens para pesquisas no campo da biologia, genética e medicina", explica Cesar. No campo da inseminação artificial, a técnica substitui as microagulhas usadas para introduzir o espermatozóide no óvulo. "Com a pinça, pode-se colocar o espermatozóide no interior do óvulo com menos riscos de danificar sua carga genética", diz o físico. O método também pode ser usado para clonagem de células vegetais e para desobstruir placas de gordura em artéria coronária.


