Campinas, SP, 07 (AE) - A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) começa a testar em mulheres, a partir de julho, um gel anticoncepcional e antiviral. O produto, chamado Acidform, foi desenvolvido pela Rush University de Chicago, nos Estados Unidos. Os primeiros testes realizados no Brasil demonstraram que o gel aumenta a acidez vaginal, o que evita a contaminação por doenças sexualmente transmissíveis e impede a gravidez.
Os novos estudos serão realizados em 24 mulheres que já fizeram laqueadura. Os pesquisadores querem confirmar a ação espermicida do produto. Nos testes anteriores, feitos em doze mulheres que não tiveram relações sexuais, constatou-se que o Acidform não traz efeitos colaterais. "O gel não provoca irritações na mucosa vaginal, não tem cheiro nem gosto", garante o professor de obstetrícia e presidente do Centro de Pesquisas Materno-Infantis de Campinas, Anibal Faundes, que também coordena a pesquisa.
Quando aplicado, o gel adere à mucosa vaginal como uma camisinha química. Segundo Faundes, sua ação dura em torno de doze horas. Uma das maiores vantagens, de acordo com o pesquisador, é que a mulher pode usar o produto sem que o parceiro perceba. Numa etapa seguinte, serão realizados testes para confirmar a ação do gel na prevenção de doenças sexualmente transmissíveis, inclusive a Aids.
O produto desenvolvido nos Estados Unidos é um dos muitos que o especialista em infecções femininas, Sebastian Faro
vem pesquisando em várias partes do mundo para encontrar aquele que, além de evitar a gravidez, não provoque efeitos colaterais e proteja a mulher contra doenças sexualmente transmissíveis. Faro estará em Campinas na próxima semana para participar do Congresso de Ginecologia e Obstetrícia, promovido pela Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia do Estado de São Paulo, de 14 a 17 de abril.
Segundo Faundes, se o produto passar em todos os testes, a previsão é de que chegue ao mercado dentro de quatro anos. As pesquisas no Brasil, orçadas em US$ 500 mil, estão sendo financiadas pela Rush University. O objetivo, de acordo com o pesquisador, é chegar num produto que garanta 95% de eficácia como anticoncepcional. A pílula oferece 94% de eficiência; o diafragma com espermicida, 93%; e o DIU 99%.

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