Campinas, SP, 23 (AE) - O Laboratório e Ambulatório de Dermatologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) começará a aplicar uma técnica inédita em pacientes para tratar o vitiligo, doença caracterizada pelo aparecimento de manchas brancas pelo corpo. De acordo com a dermatologista Maria Beatriz Puzzi Taube, pesquisadora da Unicamp, existem três tipos de tratamento, dois dos quais já testados com algum sucesso na França em pacientes europeus. Os resultados revelaram 70% de cura. Em relação à terceira terapia, que será desenvolvida na universidade, ainda não foi realizado nenhum teste em laboratório.
A técnica consiste na aplicação de pele reconstituída. Por meio de exames laboratoriais, já foi possível reproduzir a pele humana para aplicação em partes afetadas por vitiligo. Foi em um curso de pós-doutorado que a dermatologista Maria Beatriz pôde conhecer os novos avanços na tentativa de cura do vitiligo, que atinge cerca de 1% da população mundial.
A cirurgia só será feita em pessoas que não obtiveram melhora com os tratamentos convencionais, em que é usado o medicamento Vitripromin. Nesses casos, as manchas somem e, depois da suspensão do remédio, voltam a aparecer.
Os tratamentos desenvolvidos na França, que também serão utilizados pela Unicamp, consistem no cultivo de células do próprio paciente, que são "tratadas" e reintroduzidas nas áreas afetadas da pele. Serão selecionadas pessoas que nunca tenham passado por nenhum outro tipo de tratamento e jamais tenham recebido alguma medicação. "Isso será difícil", diz a dermatologista, "porque a maioria das pessoas sempre tenta algum tipo de tratamento".
Ela explica que o vitiligo é uma doença pouco estudada e ainda não é sabido como se desenvolve. O grande problema, segundo a pesquisadora, é que os pacientes são discriminados pelas pessoas que acreditam que a doença é contagiosa.
O vitiligo atinge todas as faixas etárias, não faz distinção de raça nem de sexo. Há casos em que todas as pessoas de uma mesma família têm a doença. Pelo ambulatório da Unicamp passam 500 pessoas por ano em busca de tratamento.

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