São Paulo, 07 (AE) - Um estudo desenvolvido pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) traz novas perspectivas para o tratamento de pacientes que não produzem o hormônio de crescimento, o hGH. A equipe de pesquisadores, liderada pelo professor do Centro de Biologia Molecular e Engenharia Genética Adilson Leite, conseguiu produzir o hormônio a partir de sementes geneticamente modificadas de milho e de tabaco. "Caso consigamos produzir em larga escala o hormônio, será possível diminuir de forma drástica os custos do tratamento
atualmente muito caro", explicou o professor.
Uma criança que apresenta deficiência na produção do hormônio precisa submeter-se a uma terapia que custa, em média, R$ 1.200 mensais. O tratamento é caro e indispensável. A disfunção, provocada por problemas genéticos ou em decorrência de acidentes durante o parto, requer que a reposição de hormônios seja feita periodicamente. Caso contrário, o crescimento fica seriamente comprometido.
Milho e tabaco - O trabalho de Leite começou a ser feito com sementes de tabaco. De uma célula da planta, os pesquisadores transferiram um gene modificado, responsável pela produção do hGH na semente. O professor explicou que, com hormônio produzido apenas na semente, fica mais fácil o armazenamento. "Há alguns estudos que tentam produzir substâncias em toda a planta, mas isso dificulta o trabalho, porque a planta degrada mais rapidamente."
Em uma segunda etapa, a pesquisa foi repetida com sementes de milho. Maiores, elas conseguem produzir maior quantidade de hormônio hGH. De acordo com o professor, 1 tonelada de semente poderá produzir 250 gramas de hormônio. Além de baratear o tratamento, o hormônio produzido a partir de sementes tem outra vantagem: sua estrutura é idêntica ao hormônio natural, diminuindo, assim, os riscos de alergias. "Mas não é só", garantiu o professor. Os hormônios produzidos a partir de sementes de plantas apresentam risco menor de contaminação. "Até hoje não se tem notícias de agentes patogênicos que tenham sido transmitidos de plantas para humanos."
Leite acredita que as pesquisas com sementes geneticamente modificadas para uso terapêutico deverão ganhar grande impulso nos próximos anos. "E certamente elas não causarão tanta polêmica quanto os alimentos transgênicos", disse ele. "Isso porque o plantio dessas sementes não exige grandes extensões: pode ser feito em estufa."
O trabalho coordenado por Leite recebeu menção honrosa no 25.º Prêmio Governador do Estado - Invento Brasileiro. Agora, a equipe trabalha no estudo da produção de outros hormônios de origem protéica. "Há um campo imenso para pesquisa", completou Leite.