Campinas, SP, 01 (AE) - A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) começou hoje (01) a investigar se a morte da paciente Katy Cristina Ramos, de 22 anos, dia 27, foi decorrência da vacina contra a febre amarela. Ela foi vacinada no dia 22 de fevereiro, em Americana, onde residia, e passou a apresentar sintomas de reação no dia seguinte. Caso se confirme que a causa da morte está relacionada à vacina, será o primeiro caso no mundo.
Em nota oficial divulgada hoje, o superintendente do Hospital de Clínicas da Unicamp, Paulo Eduardo Rodrigues da Silva, informa que está sendo apurado se a paciente estava com alguma doença antes de ser imunizada. Ela apresentava manifestações clínicas de insuficiência hepática, renal e respiratória. Entre as possibilidades de doenças citadas estão leptospirose, hepatite fulminante e septicemia. "Como havia relação temporal evidente entre a vacinação e o início dos sintomas, cogitou-se também a hipótese de doença provocada pela vacina", diz o texto. Segundo a Unicamp, não há relato de manifestação semelhante no Brasil ou no Exterior.
O material necessário aos exames para o esclarecimento do diagnóstico foi coletados e encaminhado ao laboratório central da Unicamp, Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, e Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio. O corpo foi submetido a uma necrópsia, mas os dados preliminares não permitem apontar com certeza a causa da morte. O resultado final da investigação, segundo a nota, será divulgado em duas semanas.
A paciente recebeu a vacina no posto de saúde onde morava, no bairro Jardim Ipiranga, em Americana, durante a campanha de vacinação em massa em fevereiro. Segundo relato de familiares, Katy passou a ter dor no local da picada um dia após receber a dose. Ela procurou atendimento no Hospital Municipal de Americana, onde o médico receitou analgésicos.
Como os sintomas persistiram, a paciente voltou três vezes consecutivas ao hospital. No dia 25 de fevereiro o seu quadro agravou-se e ela foi levada para a Unidade de Tratamento Intensivo da Santa Casa de Misericórdia de Santa Bárbara Doeste e, de lá, transferida para o HC da Unicamp, onde morreu no dia 27.
O secretário Municipal de Saúde de Americana, Luis Fernando Zacarias Domingues, disse que a possibilidade de a morte ter sido provocada pela vacina "é muito remota". Em sua opinião, a paciente já deveria estar com alguma patologia ainda não manifestada. Os sintomas comuns à reação - estado febril e dores no corpo - aparecem cerca de cinco dias após a pessoa ser vacinada.
A campanha de vacinação em massa na região de Campinas já aplicou 1,6 milhão de doses, o que correspsonde a 54% da população. A medida foi adotada pelo Governo Estadual, depois do registro de um caso da doença na cidade.