Unicamp continuará emitindo laudos, afirma reitor
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 22 de dezembro de 1999
Por Clayton Levy 
Campinas, SP, 22 (AE) - O reitor da Universidade Estadual de Campinas, Hermano Tavares, garantiu hoje que a extinção do Departamento de Medicina Legal (DML), anunciada ontem (21), não interromperá os serviços que vinham sendo realizados pela unidade. Segundo ele, os laudos periciais nas áreas de medicina legal e fonética forense passarão a ser feitos por outros departamentos dentro da própria universidade. O processo de extinção deverá ser concluído até o final de janeiro. "Tudo será feito com total respeito aos funcionários e docentes", assegurou o reitor.
Segundo ele, os servidores que atuam no DML deverão ser transferidos para outros departamentos dentro da Faculdade de Ciências Médicas. Tavares informou, ainda, que a reitoria assumirá a responsabilidade pelos materiais que estavam sob a guarda do DML, entre eles as ossadas recolhidas do cemitério de Perus, em São Paulo, para identificação de desaparecidos políticos.
O reitor explicou que será criado um canal de entrada para a solicitação dos serviços que vinham sendo prestados pelo DML. Essa atividade será supervisionada diretamente pela reitoria e em conjunto com as faculdades de Ciências Médicas e Odontologia. Juastiça - O atual chefe do DML, Ricardo Molina de Figueiredo, desistiu de recorrer à Justiça para tentar anular o processo de extinção. Ele continuará trabalhando na universidade como foneticista forense. A extinção do DML foi aprovada pelo Conselho Universitário (Consu), por 40 votos a favor, 13 contra e cinco abstenções. Ao votar pela extinção, o Consu acatou a proposta da Congregação da Faculdade de Ciências Médicas e da Comissão de Ensino e Pesquisa.
Em março, as duas entidades haviam sugerido o fim da unidade, alegando baixa produtividade científica, ausência de pós-graduação e falta de residência médica. A polêmica em torno do DML, porém, está centrada numa disputa interna pelo poder, envolvendo Figueiredo e o ex-diretor, o médico legista Fortunato Badan Palhares. Nos últimos meses, os dois vinham trocando acusações sobre irregularidades no departamento. Em fevereiro do ano passado, a dificuldade de convivência entre os dois já havia provocado uma intervenção na unidade.
Na época, os interventores constataram baixa produção acadêmica e falta de funcionários. Já naquela ocasião o grupo recomendou a extinção, mas a Congregação optou pela preservação do departamento. Esse ano, porém, uma nova comissão de sindicância foi formada e, mais uma vez, os interventores recomendaram o fim do departamento como forma de acabar com as disputas internas.
A unidade, que presta serviços nas áreas de fonética forense, medicina legal e genética humana, existe como departamento da faculdade de ciências médicas desde 1986. Antes disso, limitava-se apenas a mais uma disciplina. Em 13 anos de atuação, ganhou projeção trabalhando em casos de repercussão nacional e internacional, entre eles a identificação do carrasco nazista Joseph Mengele.
O caso mais polêmico, porém, resultou no laudo sobre as mortes do empresário Paulo Cesar Farias, o PC, e sua namorada, Suzana Marcolino, em 1996. O documento, assinado por Badan Palhares e outros 11 peritos, atesta que Suzana teria assassinado PC e, em seguida, cometido suicídio. Outros legistas
porém, contestaram essa versão desde o início, acreditando ter havido duplo homicídio. Entre eles, o perito Nelson Massini, ex-parceiro de Badan no DML.


