São Paulo, 9 (AE) - Em função da divulgação dos dados relativos ao PIB brasileiro no primeiro trimestre de 1999, os analistas do Unibanco revisaram suas projeções para o desempenho da economia neste ano. "Estimamos um equilíbrio no PIB com leve queda de 0,3%, subdividido em crescimento na agropecuária de 3%, nos serviços de 0,4% e um recuo na indústria de 2,2%", estimam Eduardo Freitas e Cássio Schmitt.
As projeções anteriores do banco de logo após a desvalorização eram de uma queda no PIB global de 3%, subdividido em agropecuária (+1,5%), indústria (-5,5%) e serviços (-2,1%). "Embora tenhamos citado uma queda esperada de 0,3% no PIB, nosso intervalo de confiança para a variação do mesmo passa a ser entre 0% e 1% negativo", dizem.
Com o rápido declínio nas taxas de inflação, o Unibanco também mudou as projeções para os índices desse ano. "Para 1999
estamos trabalhando com IGP-M de 12,5%, IPC-Fipe de 7,5% e um IPA-DI de 15,5%. Os nossos pressupostos são de um câmbio estável em R$ 1,70/US$ e uma leve recuperação tanto nos preços das commodities quanto na economia brasileira."
Na área fiscal, apesar da existência de superávit primário, a economia brasileira tem sérios problemas nesse campo. "Na realidade, o governo tem comprimido despesas com educação e saúde, entre outros itens, assim como reduzido o investimento público para cobrir, por exemplo, o déficit do INSS e da previdência do setor público, assim como continuar pagando a folha de salários. Portanto, a aprovação da legislação complementar que permita a implementação das reformas previdenciária e administrativa é fundamental, pois a geração de superávits primários através do aumento de imposto e/ou compressão de despesas não é factível no médio prazo."
No entanto, os analistas apontam que o principal fator de crescimento da dívida pública nos últimos anos - o dispêndio com juros - perderá dinamismo, partindo-se da premissa que a nova política cambial e a baixa taxa de inflação permitirão ao Banco Central brasileiro reduzir a taxa de juro Selic para um patamar inferior a 20% até o final de 1999 - redução que deve continuar ocorrendo nos próximos anos.
Adicionalmente, é importante considerar o efeito da valorização do real sobre o estoque da dívida externa e sobre a dívida interna indexada em dólar.
Freitas e Schmitt estimam que a dívida pública como porcentagem do PIB termine 1999 em torno de 49,5% do PIB, pressupondo um superávit primário de R$ 30,9 bilhões (meta do FMI), uma taxa de juros Selic no ano de 25,2%, estabilidade da taxa de câmbio em R$ 1,70/US$, um IGP-DI de 12,5% e uma queda de 1% do PIB em 1999.

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