São Paulo, 14 (AE) - O Unibanco, um dos maiores credores da Sharp S.A. Equipamentos Eletrônicos, acaba de ser contratado pela companhia para elaborar um plano de reestruturação administrativa da empresa, depois de mais de 40 dias de negociação. A Sharp, do Grupo Machline, comandada por Sérgio Machline, acumula dívidas de cerca de US$ 280 milhões e encerrou o ano passado com prejuízo líquido R$ 106 milhões.
Em duas semanas, a equipe do Unibanco deve apresentar à diretoria da Sharp e ao mercado as linhas gerais do projeto para reduzir o endividamento da companhia e prepará-la para uma nova fase de evolução.
O Unibanco já tem experiência nesse tipo de trabalho. Nos últimos meses a instituição elaborou planos para reerguer as redes de lojas concordatárias Arapuã - até agora sem sucesso- e Brasimac. No começo deste ano, o Banco Santander tinha sido encarregado de realizar o projeto de reestruturação da empresa e concluí-lo até a metade de junho. O banco espanhol chegou a fazer uma proposta, mas a negociação não foi para frente.
Procuradas hoje pela reportagem, as diretorias da Sharp e do Unibanco não se manifestaram sobre o assunto.
Não são novidade para o mercado as dificuldades enfrentadas pela Sharp, fabricante de eletrônicos de consumo como televisores, videocassetes, aparelhos de som, fornos de microondas, entre outros. Há algumas semanas, circularam informações de que alguns ativos da companhia já teriam sido transferidos para a Philips, fornecedora de cinescópios, para quitar dívidas que não foram pagas. A Sharp negou essas operações e a Philips não confirmou a informação.
Os rumores sobre a crise enfrentada pela empresa aumentaram no começo deste ano, quando a companhia deixou de entregar encomendas para o varejo, alegando para as lojas falta de crédito para compra de componentes importados, que ficaram mais caros depois da desvalorização cambial. Na época, a diretoria da Sharp admitiu que tinha reduzido o ritmo de produção em Manaus (AM), assim como os concorrentes para adequar-se ao mercado menor.
Entre as saídas cogitadas no mercado para recuperar a companhia, está a venda do seu controle acionário para a Sharp japonesa, que detém 25% de participação no controle da companhia. Essa possibilidade é negada pela diretoria da Sharp. Outra saída para salvar a empresa seria a venda da Sid Informática, outra companhia do Grupo Machline, especializada em equipamentos de automação bancária, porém lucrativa.

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