Unibanco emite ações para disputar privatização do Banespa
PUBLICAÇÃO
domingo, 25 de julho de 1999
Por Cleide Sánchez Rodríguez e Rodney Vergili 
São Paulo, 26 (AE) - O Unibanco, terceiro maior banco privado do País, anunciou hoje a intenção de aumentar o seu capital social em cerca de 30% com a emissão de até 28,637 bilhões de ações, das quais 20 bilhões com direito a voto. Caso a emissão seja oferecida e absorvida integralmente, pode representar um aporte de R$ 888 milhões, considerando o preço das ações preferenciais do Unibanco, que hoje foram negociadas em média a R$ 31,00 por lote de mil. O patrimônio líquido do banco é de R$ 3,092 bilhões
O vice-presidente Danilo Mansur disse que o objetivo da oferta pública - uma das maiores do setor bancário - é reforçar a capacidade econômico-financeira do banco para aumentar a sua participação no sistema financeiro por meio dos leilões de privatização do Banespa (São Paulo), Banestado (Paraná) e Besc (Santa Catarina). "O banco está-se capitalizando para proveitar as oportunidades de expansão que vão surgir este ano e no próximo, incluindo a área de seguros."
Analistas já esperavam por um aumento de capital. O Unibanco estava abaixo dos limites exigidos pelo Banco Central (BC) para participar do leilão do Banespa, quanto à capacidade financeira. Mas não esperavam que a emissão pudesse ser tão grande.
A oferta pública será em units, ou seja, certificados de depósito de ações que representam uma ação preferencial do Unibanco e uma ação preferencial classe B da Unibanco Holding. Isso vai permitir que os principais acionistas da holding (que não têm participação no banco) participem do aumento de capital. Do ponto de vista estratégico, a operação é bastante interessante, observou o analista do setor bancário do banco Pactual, Bruno Zaremba.
Isso porque o aumento de capital abre espaço para a entrada de um novo parceiro estratégico na instituição. De acordo com o analista, a oferta pública não vai dar o direito de preferência aos atuais acionistas. "Se o banco mantivesse o direito de preferência, os atuais acionistas poderiam exercê-lo, não deixando espaço para a entrada de novos parceiros", explicou.
Danilo Mansur explicou que a operação foi estruturada seguindo a legislação da sociedade anônima e os atuais acionistas "poderão subscrever até mesmo um montante superior ao da participação que hoje possuem". A oferta vai ser feita no Brasil, mas como os units são negociados também na Bolsa de Nova York, isso vai permitir a compra por parte de investidores norte-americanos ou europeus. Não haverá restrição à entrada de sócios.
O valor a ser captado pelo Unibanco e a data da oferta pública serão determinados em assembléia-geral, que deve ocorrer entre agosto e setembro. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) analisa a operação. Bruno Pereira, analista do BBA/Icatu, acredita que bancos como Bank of America ou NationsBank podem interessar-se pela parceria.


