Uniban inscreve candidados aprovados em câmpus de Osasco antes da autorização do CNE
Brasília, 06 (AE) - A Universidade Bandeirante de São Paulo (Uniban) inscreveu candidatos aprovados no seu vestibular em cursos oferecidos no câmpus de Osasco, antes que fosse aprovado pelo Conselho Nacional de Educação (CNE). Questionada judicialmente a respeito desta atitude, a universidade convenceu a Secretaria de Educação Superior (Sesu) de que usara o câmpus apenas como local de realização das provas. A irregularidade, no entanto, agora foi confirmada na lista de classificação dos vestibulandos de outubro, divulgada pela universidade. Pelo documento, é possível constatar que a primeira opção dos candidatos era por cursos no câmpus de Osasco. A escolha foi feita antes da prova.
A Uniban realizou o vestibular para 15 cursos, tendo como certo que o Conselho Nacional de Educação aprovaria, depois
o pedido de abertura do novo câmpus. O episódio fez com que a Ordem dos Advogados do Brasil - Seção São Paulo (OAB-SP), pedisse na Justiça a suspensão das provas para o curso de Direito. A liminar foi concedida, mas, mesmo assim, o vestibular foi realizado. A Uniban afirmava, na época, que o câmpus Osasco seria usado apenas para a realização das provas. Na relação divulgada com os candidatos classificados, a instituição evitou inscrever os aprovados em direito para o câmpus de Osasco. Mas o fez para os demais cursos.
Na última reunião do CNE, conselheiros cobraram do Secretário de Educação Superior, Abílio Baeta Neves, uma reação oficial contra a Uniban. Na reunião, decidiu-se que caso fosse provado o oferecimento de vagas pela Uniban em Osasco, o MEC agiria com rigor. Entre as penalidades previstas está a suspensão do vestibular. Vagas - Em meio a toda essa controvérsia, a Uniban está anunciando novo vestibular em dezembro, abrindo vagas em Osasco, para os mesmos cursos, mais de mil só para direito. As informações estão no Manual do Candidato. A Uniban reproduz a irregularidade anterior, anunciando as provas contando com aprovação posterior de seu novo câmpus. A diferença agora é que ela tenta aprovar Osasco como unidade universitária por meio da Portaria 752/97, e não mais da alteração estatutária que estenderia o conceito de sede para as regiões fronteiriças ao munícipio de São Paulo.
A expectativa da universidade é a de ter o pedido aprovado na reunião do CNE prevista para segunda-feira. Para tanto, segundo apurou a Agência Estado, foi nomeada em tempo recorde uma comissão do MEC que já avaliou as condições estruturais de funcionamento do novo câmpus. A comissão já concluiu esse trabalho que, normalmente, é feito num prazo de um a três meses. O vice-reitor da universidade, Milton Linhares, admitiu que a comissão do MEC esteve no campus de Osasco nesta semana. "O relatório foi favorável e acreditamos que no máximo em 15 dias a situação já esteja regularizada". Questionado sobre o que poderia ocorrer com os candidatos, caso a permissão fosse negada, o vice-reitor afirmou: "Não trabalhamos com essa hipótese", disse. Linhares também não quis dizer o que ocorreria com a taxa de reserva paga pelos candidatos caso o campus fosse reprovado: "Não sei se vamos devolver, podemos fazer qualquer coisa; mas tenho certeza de que não teremos de enfrentar esse problema".
Para o vice-reitor, a universidade não cometeu nenhum tipo de irregularidade ao oferecer aos candidatos a opção de cursar a faculdade em um campus com a situação incerta."Não foi um ato arriscado, pois sabíamos que a aprovação viria". Segundo ele, o problema ocorreu por um atraso no cronograma da própria comissão. "Se os prazos iniciais tivessem sido cumpridos, há pelo menos dois meses já estaríamos com a permissão regularizada", disse.





