Valmir Denardin
De Foz do Iguaçu
A Secretaria de Patrimônio da União repassou ao governo paranaense uma área de 380 hectares da Fazenda Mitacoré, em São Miguel do Iguaçu (45 quilômetros a nordeste de Foz do Iguaçu), ocupada por sem-terra há mais de dois anos. Na prática, a medida é o primeiro passo para a instalação no local da Universidade do Agricultor, um projeto de pesquisa e difusão de tecnologia agrícola.
Agora, o governo estadual deverá transferir a área ao Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), que será o coordenador da Universidade do Agricultor e contará com a participação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), prefeituras, sindicatos, cooperativas e escolas do Extremo-Oeste do Estado. ‘‘A transferência da área é o início real do projeto’’, disse ontem Airton Carvalho, vereador pelo PDT em São Miguel do Iguaçu e vice-coordenador do Movimento Pró-Universidade do Agricultor. Na próxima segunda-feira, em Curitiba, o movimento inicia a discussão para a finalização do projeto do centro agrícola.
A consolidação do projeto já enfrenta um impasse. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) não concorda com a instalação da instituição na fazenda. ‘‘O governo pode comprar outra’’, afirmou Jacir Pagnussati, integrante da coordenação do MST na região. Ele defende a criação de um núcleo de pesquisa agrícola na área, mas coordenado pelo MST. Com 1.098 hectares, a Mitacoré pertencia ao Bamerindus e foi encampada pelo Banco Central em 97, após intervenção federal no grupo paranaense.

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