Clarissa Thomé
Agência Estado
Do Rio
O consultor do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para área de Segurança no Trânsito, Philip Anthony Gold, defendeu ontem a adoção de um programa ‘‘bem montado e dirigido’’ para a redução de acidentes no País. Segundo estimativa do BID, a União perde anualmente US$ 9,5 bilhões com despesas por batidas e atropelamentos.
Para Gold, a educação de trânsito deveria ser matéria obrigatória em escolas e a fiscalização não deveria ser dirigida apenas aos motoristas, mas às ‘‘verdadeiras’’ causas dos acidentes: engenharia de trânsito falha, sinalização insuficiente, veículos em má condição de conservação. Ele defende ainda campanhas para pedestres. ‘‘Nas estatísticas, mais de 40% das vítimas de acidentes são pedestres, que se ferem e morrem mais do que os condutores’’, explicou Gold. ‘‘Se é assim, o enfoque prioritário deveria ser o pedestre’’.
O especialista criticou, durante o seminário Segurança no Trânsito, os projetos de rodovias que o Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER) e os órgãos estaduais apresentam ao BID, em busca de financiamento. ‘‘Em poucos deles constam as palavras acidente ou segurança’’, afirmou Gold. ‘‘São projetos pagos com o imposto do cidadão, ou seja, o sujeito paga para ter o privilégio de ser atropelado.’’
Gold defendeu a construção de passarelas em rodovias. ‘‘Eu não sei de onde os engenheiros de trânsito tiraram a idéia de que o brasileiro não utiliza as passarelas, se nenhum estudo foi feito.’’

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