São Paulo, 21 (AE) - O comissário de Comércio Exterior da União Européia (UE), Pascal Lamy, declarou hoje, em São Paulo
que a UE quer ampliar as relações comerciais com o Brasil e o Mercosul. Mas descartou a hipótese de fazer concessões aos produtos agrícolas.
As bases de livre comércio que a UE deve negociar com o Brasil, Uruguai, a Argentina e o Paraguai serão diferentes do acordo firmado segunda-feira com o México. Lamy justificou a diferença de tratamento dado aos sul-americanos argumentando que "o Mercosul não é uma zona de livre comércio, levando-se em conta as diferenças que existem no setor automobilístico".
Com os países do Mercosul, as normas serão mais restritas. "Não vamos aceitar os produtos agrícolas da mesma forma como são tratados os alimentos industrializados", afirmou o comissário europeu. Ele chegou a mostrar-se surpreso "com a falta de informação que o Brasil tem sobre as reformas que a UE fez nos últimos dez anos no setor agrícola".
Entre as reformulações, informou o comissário, está a redução na diferença de preços dos produtos agrícolas no mercado internacional. Ele garantiu que as subvenções de exportação têm caído consideravelmente e vão continuar caindo". O ministro explicou que dois terços dos produtos brasileiros exportados para a Europa são completamente livres. Mas 12,51% das exportações, ou seja, em torno de US$ 800 milhões, estão sujeitos a picos tarifários, que variam de 12% a 26%.
Entre esses produtos estão o suco de laranja concentrado
óleos vegetais e tabaco, que poderiam ter suas vendas aumentadas. A soja em grão, por exemplo, não tem taxação, já o óleo de soja é taxado em 7,5%. A variação também ocorre com o café que, em grão, paga taxas de 3,3% e solúvel, 9%.
O comissário fez questão de afirmar que entre 1993 e 1998 houve aumento de 116% no comércio entre o Brasil e a UE. Os números, porém, foram favoráveis aos europeus. Enquanto as exportações européias nesse período cresceram 181%, as brasileiras tiveram aumento de 31,5%.
Em 1993, o Brasil foi o 24.º comprador de produtos da Europa e em 1997 subiu para o 11.º. A balança comercial, em 1998
pendeu para o lado europeu em US$ 2,7 milhões.
O comissário reconheceu que é preciso aumentar o comércio entre as partes e "sensibilizar o público quanto às questões de trabalho e sanitárias". As questões sociais estão sempre ligadas às sociais".
Lamy explicou que sua visita ao Brasil é "mais de reconhecimento". Garantiu que não veio "para negociar, mas traçar o tipo de relacionamento da UE com o Mercosul para os próximos cinco anos. Em sua agenda, porém, está incluído um encontro, amanhã, em Brasília, com o ministro da Agricultura, Pratini de Morais, e um grupo de dirigentes do agribusiness.
O comissário europeu será recebido pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. Fazem parte de sua agenda encontros com vários ministros brasileiros. Em São Paulo, ele esteve reunido hoje com empresários e sindicalistas.

mockup