Lisboa, 22 (AE) - Alcançar o pleno emprego, com o desenvolvimento da sociedade de informação são os os objetivos a longo prazo da Reunião Extraordinária da União Européia sobre o emprego, que se realiza esta quinta e sexta-feira em Lisboa. A reunião tem como meta ser o primeiro passo para a economia da União Européia ultrapassar os Estados Unidos: "Pretendemos fazer da Europa a economia mais dinâmica e competitiva, sem esquecer o emprego e a coesão social", afirma a ex-ministra do Trabalho portuguesa Maria João Rodrigues, assessora do primeiro-ministro de Portugal, o responsável pela preparação do encontro.
A presidência portuguesa da União Européia considera que uma reunião com grande risco de falhar: "Está em causa se teremos um acordo quanto a estratégia, o que acho díficil, se teremos acordo quanto ao método. O que acho exigente para os governos, e depois se teremos acordo quanto as medidas que vão ser muito concretas, com datas-limite", diz a assessora.
Segundo Maria João, entre as medidas concretas a serem discutidas estão desbloquear o pacote comercial, liberalizar completamente o setor elétrico e a completa liberalização das telecomunicações, com uma data-limite definida a médio prazo - a proposta portuguesa prevê menos de 5 anos. Com isso será possível reduzir o custo do acesso a Internet.
A reunião de Lisboa será apenas o primeiro passo na definição de novas políticas. A previsão é de que as discussões cheguem a uma conclusão até junho, quando terminam os seis meses da presidência portuguesa da União Européia. "Necessitamos de políticas mais ambiciosas para a sociedade de informação, reformas economicas para a competitividade e renovação do modelo social para investir nas pessoas, combate A exclusão abrindo possibilidades de criação de emprego", considera Maria João.
Os problemas que serão enfrentados pelos 15 chefes de governo e de Estado da União Européia incluem a discussão de metas européias para questões que até agora eram consideradas exclusivas dos Estados, como o caso da educaçãp ou das leis trabalhistas. "Para termos maior competitividade e uma economia mais dinâmica teremos de flexibilizar as leis do trabalho, mas para isso acho necessário dar garantias aos trabalhadores. Acho mais fácil dizer a um trabalhador para aceitar a flexibilização e a certeza de proteção social no caso de desemprego".
Na área da educação, pretende-se aumentar a capacidade de os europeus conseguirem empregos tecnológicos, investindo na educação: "As escolas devem se abrir para os adultos e para os desempregados e não apenas para os jovens. Devem participar na formação profissional." Segundo Maria João, os europeus ainda estão atrasados na preparação para a sociedade da informação. "Conversamos com os ministros da Educaçãoo de todos os Estados-membros da União Européia e apenas 4 países tem Internet em todas as escolas. No entanto, em Portugal, um desses quatro países, algumas escolas temm apenas um computador ligado a rede".

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