União Européia quer livre comércio mesmo
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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2000
Por Jair Rattner, especial para a AE (assinatura obrigatória) 
Vilamoura, Portugal, 24 (AE) - Um dos principais objetivos da União Européia nas reuniões que estão ocorrendo em Portugal com o Grupo do Rio, a Comunidade Andina e o Mercosul é tentar relançar o processo de negociações interrompido pelo fracasso do encontro da Organização Mundial de Comércio, em Seattle. "Queremos convencer os países de que eles têm mais a ganhar com a liberdade de comércio do que a perder", afirmou Gunnar Wiegand, o porta-voz do comissário europeu Chris Patten, responsável pelas relações exteriores da Uniao Européia.
Em todas as reuniões, o representante da União Européia tem defendido esta posição. Segundo o porta-voz, o fracasso de Seattle ocorreu porque a reunião estava mal preparada. "A próxima reunião terá de ser melhor preparada, não queremos apontar culpados, mas sim encontrar formas de resolver o impasse".
Para a União Européia, o sucesso das negociações está dependente de uma maior abertura à sociedade civil. "Antes, as discussões eram fechadas em gabinetes, depois os acordos iam para os parlamentos que aprovavam sem saber muito bem o que estavam votando. Muitas vezes uma ONG conseguia um ou outro documento e fazia um escândalo. Agora temos de dar acesso a observadores pelo menos a algumas reuniões, facilitar a obtenção de documentos, temos de ter maior transparência".
Para o porta-voz, atualmente surgiu um novo tipo de barreiras comerciais entre os países, não ligadas ao protecionismo, mas a questões de valores, como é o caso do ambiente ou os produtos da biotecnologia. "É necessário de criar mecanismos de consultas amplas para decidir. Até agora, a OMC tinha apenas como linha de ação o comércio. Falta incluir a sociedade civil".


