União Européia poderá ter 40 membros em 2020 Do correspondente Reali Júnior
Paris, 23 (AE) - Enquanto o bloco econômico do Mercosul, que reúne apenas quatro países sul-americanos, atravessa uma das piores crises de sua história - com ameaça à própria existência -, a União Européia já está refletindo sobre seu funcionamento dentro de 20 anos.
Um estudo encomendado ao economista francês Jacques Attali, antigo assessor especial do ex-presidente da França François Mitterrand e fundador do Banco Europeu para a Reconstrução e o Desenvolvimento (Berd), prevê uma vasta expansão do espaço da União Européia até 2020, quando poderá reunir entre 35 e 40 países membros.
Attali considera que cabe à França "promover o que ela não mais pode evitar" e incitar seus parceiros europeus a preparar esse objetivo. Por enquanto, trata-se apenas de um trabalho solicitado pelo ministro das Relações Exteriores francês, Hubert Védrine, ao antigo colaborador de Mitterrand. Essa expansão, mesmo justificada historicamente, modifica profundamente o projeto original de construção européia.
Em seu estudo, Attali assume uma posição muito mais ousada do que a de seus colegas, que nunca chegaram a admitir um número superior a 30 países por volta de 2020. Ele preconiza uma Europa contando 35 ou 40 países, integrando Estados saídos da antiga Iugoslávia e também a Suíça, Malta, Moldávia, Bielo-Rússia, Ucrânia, Turquia e mesmo Rússia, Armênia e Geórgia. ESTRATÉGIA ANTIMáFIAS - Ao contrário também do que se discute hoje em dia na União Européia, Attali defende a caminhada para essa "super-Europa" desde já, mas advertindo: "Não podemos mais esperar que um país tenha atingido nível econômico e de estabilidade democrática para admiti-lo na União Européia..."
A seu ver, manter esses países de fora seria permitir a prosperidade de uma perigosa máfia, que, a longo prazo, poderia contribuir para desestabilizar a própria União Européia. Integrá-los permitiria estabilizar sua democracia e introduzir a infra-estrutura necessária para reduzir as diferenças com a parte ocidental do continente.
Por isso, segundo Attali, a França deveria anunciar, num gesto de generosidade e coerência estratégica, sua intenção de assumir a inevitável expansão da União Européia para 35 ou 40 países, propondo aos 15 membros atuais reformar suas instituições para preparar essa caminhada.
A pior solução seria deixar de agir já, não dotando o bloco de meios para organizar a expansão do número de países membros e tornando suas instituições totalmente inadministráveis.
O ingresso programado de cinco novos países, previsto para os próximos seis ou sete anos, já torna indispensável uma profunda reforma das estruturas comunitárias, cujo funcionamento deixa a desejar em vários aspectos com os 15 países atuais.
Daí, a necessidade absoluta de preparar a perspectiva do ano 2020, quando se admite que a União Européia possa estar integrada por 30 ou 40 países.





