União Européia nega acordo sobre o tema agrícola na OMC
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 03 de dezembro de 1999
por Vladimir Goitia 
São Paulo, 3 (AE) - A União Européia negou esta madrugada em Seattle, onde está sendo realizada a 3ª Reunião Ministerial da OMC, ter aprovado o rascunho do acordo sobre a "eliminação progressiva" dos subsídios às exportações agrícolas. Poucas horas antes, os Estados Unidos haviam anunciado que alguns avanços nessa direção estavam ocorrendo e que os negociadores europeus haviam aceitado colocar a questão da eliminação dos subsídios agrícolas na mesa de negociações da futura Rodada do Milênio, se é que for mesmo lançada.
Fontes européias informaram às agências internacionais, entretanto, que a França tinha se mostrado totalmente contrária a essa posição. Imediatamente depois, a Comissão Européia, órgão executivo da União Européia e responsável pelas negociações do bloco em nome de 15 países, divulgou um comunicado oficial esclarecendo que os termos do rascunho da declaração não haviam sido ap rovados pela União Européia.
O comissário europeu de Agriculura, Franz Fischler, disse à agência Reuters, por exemplo, que o texto era "um avanço positivo em direção a um acordo sobre o comércio agrícola", mas, acrescentou de forma enfática, "quero esclarecer que esse texto não foi aprovado pela União Européia, já que ele não reflete as nosssas posições básicas". A União Européia não aceita a eliminação pura e simples dos subsídios às exportações agrícolas, conforme exigências do Grupo de Cairns e dos Estados Unidos. A aparente posição favorável da União Européia foi jogada por água abaixo com as declarações do ministro francês de Comércio, François Huwart. "Se esse for o resultado final dessas discussões, naturalmente não vamos accietá-lo", disse Huwart. Apesar da posição contrária dos europeus a um eventual acordo, os EUA e alguns outros países chegaram a afirmar que as negociações haviam avançado. Os representantes das delegações do Brasil, Argentina e Chile, por exemplo, também afirmaram que o acordo estava próximo a ser assiando. "A agricultura deixou de ser o tema mais espinhoso da reunião", disse o ministro Luis Felipe Lampreia à Reuters.
O chanceler chileno, Juan Gabriel Valdés, acrescentou que "a linguagem estava ficando aliviada". O ministro de Agricultura Marcus Vinícius Paratini de Moraes, por sua vez, chegou a afirmar que as conversações com os europeus "não estavam tão difíceis como se imaginava e que estava havendo avanços".


