União da Ilha mostra a resistência cultural durante a ditadura militar7/Mar, 9:49 Por Beatriz Coelho Silva Rio, 07 (AE) - Se a escola de samba União da Ilha do Governador nunca teve um campeonato, apesar de estar há quase 30 anos, no Grupo Especial, o carnaval de 2000 seria uma ótima oportunidade. Seria justo porque a escola veio compacta, animada, luxuosa e com muita garra. O carnavalesco Mário Borrielo provou que pode-se fazer um carnaval rico com pouco dinheiro e que falar de assuntos pesados pode ser leve no sambódromo. O enredo da Ilha era "Para não dizer que não falei de flores", contando o período da ditadura militar. Só que em vez de lamentar o lado triste, Borrielo falou da resistência cultural. A música, o cinema, o teatro, o jornalismo, nada do que resistiu à ditadura militar ficou de fora no desfile, ajudado por um samba contagiante e uma bateria exemplar. Não faltaram também os artistas e intelectuais que resistiram e lutaram pela democracia, como a cantora Elza Soares, mostrando formas espetaculares, num vestido transparente dourado, Eliane Pitman comandando um carro alegórico e os dramaturgos e diretores de teatro Augusto Boal e Amir Haddad, ao lado de dona Lúcia Rocha, mãe de Glauber, no último carro. Até a metade, a escola veio em tons de laranja e terra, mas depois do terceiro carro, suas cores (vermelho, azul e branco) predominaram em combinações dentro das alas e das alas entre si. Com este desfile, Borrielo e toda a comunidade da Ilha do Governador, bairro da zona norte da cidade, próximo ao Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro- Tom Jobim, deram uma aula de como resistir aos maus tempos. Tanto no enredo quanto na recuperação da escola, que terminou o último carnaval, o de 1999 com dívidas e com o barracão incendiado e praticamente destruído. A Ilha já se recuperou e está aí para fazer barulho no sambódromo.

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