União compra 16% que São Paulo possuía do Banespa com ágio
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quarta-feira, 20 de outubro de 1999
Por Milton F.da Rocha Filho 
São Paulo, 21 (AE) - Um acerto entre a União e o Estado, que está na reta final de negociação, permitirá que o governo federal fique com os 16% que São Paulo ainda possuía do Banespa, por um preço oito vezes maior do que o preço de mercado, portanto com ágio, levando em consideração os preços das ações na Bolsa, e, desta forma, poderá pagar a parcela da dívida para com a União de R$ 2,4 bilhões, que vencerá em novembro.
São Paulo receberá R$ 2 bilhões pelos 16% formados por ações ordinárias e uma pequena parcela de preferenciais, que representam 7,8% do controle total do banco. Para completar os R$ 2,4 bilhões referentes à conta gráfica, a parcela da dívida para com a União acertada em acordo com o governo federal e aprovada pelo Congresso, São Paulo usará uma parcela de R$ 400 milhões que receberá no leilão de privatização da Companhia de Geração do Tietê, a ser realizado na quarta-feira (27).
As avaliações que estão sendo usadas para dar o preço dos 16% pertencem às consultorias Booz Allen & Hamilton e do Banco Fator, contratadas pelos governos federal e estadual para fixação do preço de privatização da instituição e modelagem para a venda.
A conta gráfica originalmente era de R$ 1,8 bilhão, mas, com juros e correção, ficou em R$ 2,4 bilhões, explicou o governador Mário Covas (PSDB), que estava tenso por causa desta parcela a vencer. Ele não desejava que São Paulo ficasse inadimplente. Ele disse que se faria tudo por meio de uma negociação para evitar a inadimplência.
As negociações com a União foram iniciadas há mais de 30 dias e serão concluídas nas próximas horas, com a decisão do Estado vender para a União os 16% que ainda possuía do Banespa.
Esta decisão também vai facilitar a privatização do Banespa. Os técnicos e modeladores da operação de privatização vão procurar agora isolar do banco a dívida de R$ 2,4 bilhões para com a Receita Federal, resultado de multa aplicada recentemente e que prejudicou o agendamento de uma data para a privatização da instituição. Possivelmente ela ocorrerá em abril.


