União com Ford permite à Volvo importar com menos custos
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segunda-feira, 23 de agosto de 1999
Por Marli Olmos 
São Paulo, 24 (AE) - A recente compra mundial da Divisão de Automóveis da Volvo pela Ford vai permitir que, no Brasil, a empresa sueca possa importar, com imposto reduzido, utilizando os créditos de exportação da Ford. Entre as mudanças provocadas pela aquisição está a criação de uma sede latino-americana da Volvo Car em São Paulo. A direção mundial da montadora sueca esteve hoje em São Paulo para anunciar as modificações.
A Volvo já importava, no Brasil, carros com desconto de 50% do imposto porque utilizava os créditos de exportação da divisão de caminhões, instalada em Curitiba. As regras do regime automotivo permitem que as montadoras possam importar com benefícios fiscais, em troca da garantia de exportação. Com a compra da divisão de automóveis da montadora sueca pela Ford, no Brasil, a subsidiária simplesmente trocará os créditos da Volvo Caminhões pelos da Ford, para continuar importando com imposto reduzido.
O Brasil está no topo da lista de países emergentes de interesse da Volvo Car, segundo o presidente da Divisão Internacional da companhia, Bengt Ovlinger. "O Brasil é um dos países que mais tem chance de se expandir nos próximos três a quatro anos", destacou o executivo sueco.
Hoje, a América do Norte é o principal mercado da Volvo Car, que vendeu, em todo o mundo, 400 mil automóveis, no ano passado, com faturamento de US$ 507 milhões.
O mercado latino-americano representa para a Volvo, hoje, 0 5% das vendas. Mas, a empresa quer aumentar a participação dos atuais 7% para 20%, até o ano 2001, no segmento em que atua, chamado pelos executivos de "mercado de prestígio". Os automóveis Volvo são dirigidos ao mercado de alto luxo e concorrem Mercedes Benz, Audi e BMW.
Os planos de cinergia, com a compra da empresa pela Ford, que incluem a utilização das mesmas plataformas para os veículos das duas marcas, não chegarão ao Brasil. Segundo Ovlinger, "a fabricação de carros da marca no Brasil ainda faz parte de planos de futuro". Na Europa, Volvo e Ford já estão compartilhando de compras em comum. A Ford gastou US$ 6,5 bilhões para comprar a divisão de automóveis da Volvo. Com isso, pretende avançar no segmento de mercado de alto luxo.
A Volvo pretende vender este ano, no mercado brasileiro, 700 veículos. Este volume representará uma queda de 7% na comparação com o ano passado. No entanto, a empresa alcançará faturamento de R$ 56 milhões.
O chamado "mercado de prestígio" também foi afetado pela crise. Segundo o gerente-geral da Volvo Car no Brasil, Luís Carlos Pimenta, esse segmento de consumo cresceu continuamente até o ano passado, quando atingiu a venda de 12 mil veículos (cerca de 1% do mercado total). Mas, este ano, a venda de carros de alto luxo não deverá passar de 8,5 mil unidades. "Esperamos uma recuperação para mais de 10 mil unidades, a partir do próximo ano, se forem confirmadas as expectativas de crescimento da economia", disse Pimenta.
A montadora aposta na valorização, pelo público brasileiro, de automóveis com menor apelo visual, mas que destacam segurança e conforto. Os carros da Volvo, por exemplo, saem de fábrica com quatro air-bags. E a empresa não aceita encomendas sem estes itens de segurança. Os novos modelos, porém, estão ganhando linhas arredondadas.
"Vamos deixar de ser conhecidos pelos produtos quadrados", completou Pimenta.


