Não é só cortar, lixar ou esmaltar. É preciso prestar atenção, afinal as unhas podem 'dizer muito' sobre nossa saúde. Alterações nas unhas, aponta o dermatologista Andrei Nonino, de Londrina, podem indicar doenças muitas vezes ainda não diagnosticadas.
''As unhas dizem muito sobre nossa saúde, mas infelizmente a maioria das pessoas só lhes dá atenção quando a estética incomoda'', alerta a dermatologista Robertha Nakamura, coordenadora do Centro de Estudo das Unhas (CEU) da Santa Casa do Rio de Janeiro. Uma coloração diferente na unha, assegura a médica, pode ser o reflexo de alguma doença.
Mudanças na coloração, na espessura e no formato da unha podem ser consequências do contato com agentes externos, sobretudo produtos químicos, mas também podem indicar doenças sistêmicas - aquelas que afetam vários órgãos do corpo, como fígado, coração, rins, pulmão e a glândula tireoide (veja ilustração).
A unha normal, explica Nonino, ''é uma lâmina firme, flexível e transparente, com certo brilho homogêneo, sem descolamentos''. O crescimento é lento e contínuo, de cerca de 0,1 milímetro por dia. ''Há certas variações individuais e de acordo com a idade das pessoas'', ressalta.
Deve-se ficar atento, segundo o médico, a qualquer mudança na aparência normal da unha, considerando cor, formato, textura e espessura. O primeiro passo ao notar uma alteração é procurar orientação médica. ''Mas sem desespero'', aconselha o dermatologista Emerson Vasconcelos, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). ''Nem sempre vai significar alguma doença. Somente um médico dermatologista pode traduzir a alteração e, assim, encaminhar o paciente, se for necessário, para outro especialista''.
A doença mais comum é a micose provocada por fungos, que causa algumas daquelas mudanças, como descolamento, aumento da espessura e manchas, podendo chegar até à destruição parcial ou total das unhas. ''Elas também podem estar alteradas por traumas, como hematomas, uso de calçados apertados, e menos frequentemente por tumores benignos ou malignos'', ressalta Nonino. Outras alterações são as provocadas por doenças dermatológicas como psoríase, líquen plano e dermatites.
Ficar com as unhas quebradiças é resultado, segundo Nonino, de várias situações. As mais comuns são o ressecamento das unhas pelo uso frequente de esmalte e acetonas, exposição a agentes químicos, como solventes, ácidos e sais, traumas mecânicos repetitivos, como digitação, doenças, como as já citadas, ou ainda gestação. (Com Agência Estado)

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