São Paulo, 29 (AE) - A intoxicação por agrotóxicos, no campo, não depende apenas do tipo de veneno que se usa, mas, sobretudo, do grau de exposição durante a aplicação. Por causa do rigor da legislação, vários dos agrotóxicos mais perigosos tem aplicadores protegidos ou muito dirigidos, que diminuem sensivelmente os riscos de intoxicação dos trabalhadores rurais. Mas os pesticidas, herbicidas e fungicidas de menor toxicidade continuam ameaçando a saúde na zona agrícola, pela forma como o aplicador se expõe.
"O risco de intoxicação é uma equação que não envolve apenas toxicidade do produto, mas também o tempo e grau de exposição ocupacional, assim, um produto pouco tóxico pode oferecer alto risco de intoxicação, dependendo de como é aplicado", diz Joaquim Gonçalves Machado Neto, professor da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da Universidade Estadual Paulista, UNESP-Jaboticabal (http://www.facv.unesp.br). Ele chegou a esta conclusão estudando os diferentes graus de exposição aos agrotóxicos, em aplicações no campo, feitas por pessoas habituadas a lidar com os venenos. Segundo sua pesquisa, as partes dianteiras dos pés, pernas e coxas são as mais expostas, correspondendo a até 90% da exposição dérmica total.
Alguns problemas com as roupas e equipamentos de proteção também foram analisados pelo pesquisador e podem aumentar o risco de exposição. Os aventais, por exemplo, com frequência voam com o vento ou enroscam nas plantas e não cumprem a função protetora. Do mesmo modo, costumam haver problemas com as luvas, que em alguns casos reagem com os princípios ativos dos agrotóxicos e "melam" ou até furam, expondo o trabalhador ao veneno. O uso de roupas pesadas debaixo de sol é outro problema. Desconfortáveis e quentes, as roupas acabam sendo abandonadas pelos trabalhadores quando o produto utilizado não é de alta toxicidade.
Por tudo isso, Machado Neto acabou desenhando um macacão impermeável frontal, que tem as costas abertas e protege exatamente as partes mais expostas aos venenos. O macacão não elimina a utilização de luvas e máscaras, mas alivia bastante o desconforto das roupas e aventais tradicionais. O macacão foi considerado um modelo de utilidade e obteve patente no ano passado, 6 anos após o registro. Agora o pesquisador procura empresas interessadas em fabricá-lo e faz demonstrações durante os cursos de segurança na aplicação de agrotóxicos, onde também recomenda a substituição de botas pretas por brancas - mais maleáveis e com menor capacidade de reter calor, além de luvas de nitrila, menos suscetíveis a reações com os produtos.
Maiores informações com Joaquim Gonçalves Machado Neto através do telefone (16) 3232500 ramal 256 ou do endereço eletrônico [email protected].

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