Campinas, SP, 04 (AE) - A dessalinização da água dos poços e açudes nordestinos já pode ser feita com tecnologia nacional e com uma economia de energia de cerca de 40% em relação ao método tradicional, por destilação. A novidade é um filtro cerâmico, desenvolvido no Instituto de Química da Universidade Estadual Paulista, a Unesp (http://www.iq.unesp.br) como tese de doutorado de Léo Ricardo Bedore dos Santos, a ser defendida ainda neste mês de agosto. A tecnologia tem vantagens, inclusive, em relação aos dessalinizadores mais modernos, de osmose reversa, recentemente importados pelo governo federal. No filtro cerâmico um longo tubo recoberto com uma camada ativa microporosa é carregado de eletricidade estática e, por um processo semelhante à osmose reversa, deixa passar a água
mas não os íons. "A eficiência da filtragem é de 90% para soluções salinas diluídas de cloreto de sódio (NaCl)", afirma Celso Santilli, orientador da tese na Unesp. "Para soluções salinas muito concentradas, como a água do mar, a eficiência cai para 40% mas podem ser feitas diversas passagens da água pelo filtro".
A vantagem da cerâmica sobre os equipamentos de osmose reversa é a durabilidade. Enquanto as membranas de filtragem destes equipamentos precisam ser trocadas aproximadamente a cada seis meses, a cerâmica dura muitos anos. O filtro nacional também pode contribuir para diminuir o ritmo de trocas das membranas de osmose reversa, nos dessalinizadores importados, com acoplamento de um módulo cerâmico. O novo material oferece, ainda, alta resistência química e térmica, o que facilita a limpeza. "No caso de haver contaminação biológica da água, o filtro cerâmico pode ser limpo com retrolavagem química ou ser submetido a altas temperaturas para esterilização", acrescenta Santilli.
Produção - A produção comercial do novo filtro ainda não foi definida, mas os pesquisadores acreditam que seu custo ficará em torno de US$ 500 por metro quadrado. É um custo inicial mais alto do que os dessalinizadores por osmose reversa, mas com maiores possibilidades de montagem modular e praticamente sem despesas posteriores de manutenção, enquanto cada membrana de osmose reversa custa entre US$ 100 e US$ 150.
O desenvolvimento do filtro é parte do projeto temático de materiais cerâmicos financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, Fapesp (http://www.fapesp.br). Os investimentos no projeto total, nos últimos três anos, giram em torno dos US$ 500 mil. Léo Bedore dos Santos também recebeu apoio do Laboratório de Membranas da França, onde trabalhou durante 18 meses, no âmbito do convênio binacional entre a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), e o Comitê Francês de Avaliação da Cooperação Universitária com o Brasil (Cofecub). Maiores informações com Celso Santilli através do telefone (0XX16) 2322022 ou do endereço eletrônico [email protected].

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