Unesp desenvolve filme protetor para infravermelho
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terça-feira, 07 de setembro de 1999
Por Liana John 
Campinas, SP, 08 (AE) - Equipamentos de detecção, comunicação e captura de imagens em infravermelho - como os celebrizados no filme "O Predador" com Arnold Schwartznegger - ainda são de uso restrito em locais muito úmidos, como as floresta tropicais, ou em ambientes aquáticos, como submarinos militares. Ao contrário dos vidros comuns, os vidros utilizados em lentes para infravermelho oxidam. O problema está na reação do material utilizado nas lentes com o oxigênio, na presença de umidade.
Ou oxidavam, porque pesquisadores do Instituto de Química da Universidade Estadual Paulista, Unésp (http://www.iq.unesp.br), campus Araraquara, produziram um filme para recobrimento destas lentes, que protegem contra a umidade. Os vidros para infravermelho são feitos à base de fluoretos de metais pesados em vez dos óxidos de sílica dos vidros comuns. O revestimento desenvolvido na Unesp é feito à base de um óxido de estanho, que tem boa resistência química à corrosão e um grau adequado de transparência a maior parte dos comprimentos de ondas infravermelhas.
Os testes feitos em Araraquara apontaram apenas uma pequena absorção em um certo comprimento de onda, mas o pesquisador Celso Santilli, coordenador da pesquisa, acredita que isso não comprometerá os resultados. Segundo ele, o novo material agora está em teste na França, numa empresa fabricante de equipamentos militares infravermelhos. Os resultados devem sair em seis meses. A empresa francesa tem um contrato de intenções com a Unesp, que prevê a compra da tecnologia e o registro conjunto de patente, se o produto for aprovado nos testes.
"Uma das dificuldades do desenvolvimento foi produzir um filme absolutamente hermético, capaz de revestir os vidros sem poros ou bolhas", afirma Santilli. Caso a qualidade do novo material seja realmente comprovada, suas aplicações podem ultrapassar os usos militares. "Uma das possíveis aplicações, por exemplo, seria na fabricação de aparelhos de infravermelho para os faróis de automóveis, que detectariam o calor de outros carros numa estrada cheia de neblina", diz o pesquisador.
A pesquisa com o filme protetor de lentes infravermelho é objeto da tese de mestrado de Alessandro Pansanato Rizzato, orientada por Santilli, e conta com financiamentos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, Fapesp (http://www.fapesp.br).
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