Unesco nega apoio a evento sobre Estrada do Colono
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quinta-feira, 15 de novembro de 2001
Alexandre Palmar<br>De Foz do Iguaçu 
A Estrada do Colono levantou nova polêmica entre setores favoráveis e contrários ao fechamento do trecho que corta o Parque Nacional do Iguaçu em 17,6 quilômetros. A controvérsia surgiu durante o Congresso de Turismo, Cultura e Desenvolvimento Sustentável, em Foz do Iguaçu, que foi anunciado pelos organizadores como sendo ligado à Rede Unitwin, da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco).
A Unesco no Brasil emitiu nota esclarecendo não ter vínculo ou participação oficial no evento realizado no Hotel Internacional. Segundo o comunicado, todo projeto e parceria com a Unesco em território brasileiro precisa ter aprovação prévia do escritório de representação da Unesco do Brasil, em Brasília.
A polêmica surgiu porque a participação da Unesco no evento daria credibilidade à discussão de proposta para construção de um túnel ecológico. A obra permitiria o tráfego de veículos e pedestres na Estrada do Colono. A ligação dos municípios de Serranópolis do Iguaçu (Oeste) a Capanema (Sudoeste) foi fechada pela Polícia Federal em 13 de junho deste ano por ordem judicial.
A Unesco destaca, no comunicado, que sua posição está baseada no relatório técnico elaborado pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN). ''O relatório mostrou-se favorável ao fechamento da estrada como forma de preservação da integridade do parque. A UICN é consultora para as Nações Unidas em assuntos do meio ambiente'', descreve a nota.
A Unesco teve papel fundamental no fechamento da Estrada do Colono ao colocar, em novembro de 1999, o Parque Nacional do Iguaçu na Lista de Patrimônio Natural da Humanidade em Perigo. A possibilidade de a reserva perder o título levou o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) a pressionar o fechamento da via.
A WWF (organização não-governamental mundial voltada à proteção da natureza) também emitiu comunicado negando apoio institucional ao congresso em Foz. ''A logomarca da WWF foi utilizada de forma inadequada no site e nos materiais de divulgação do congresso'', diz a nota.
A construção do túnel ecológico foi exposto ontem pelo holândes Hendrikus Bonda, 46 anos. Ele disse ser correspondente permanente na América Latina da cadeira de Turismo, Cultura e Desenvolvimento Sustentável, da Unesco. Garantiu ainda que o evento foi organizado pela representação da Unesco na América Latina, com apoio do órgão mundial. Segundo ele, o representante latino-americano das Nações Unidas seria o professor Jair Kotz. Questionado sobre a nota do escritório em Brasília, afirmou que ''eles (a direção em Brasília) ou nós fomos mal informados''.
O professor Jair Kotz é presidente do Instituto de Pesquisas Superiores em Turismo, Desenvolvimento Sustentável, Marketing e Lazer (IPESML) que, segundo ele, representa a Unesco no Brasil e América Latina na cadeira de Turismo, Cultura e Desenvolvimento Sustentável.


