A necessidade de criar mecanismos para aproximar dois universos, educação e trabalho, é o eixo das discussões de congresso promovido pela Unesco, que começa hoje em Seul, na Coréia do Sul. Como sugere o nome do evento - ‘‘Educação e Formação Continuada: Uma Ponte para o Futuro’’ -, especialistas e formuladores de políticas para o setor vão se debruçar, durante quatro dias, sobre problemas considerados cruciais para que a escola se torne o espaço de formação de cidadãos capazes de se adaptar às exigências de um mercado que requer profissionais que dominem a ‘‘inteligência de um processo’’ e não se limitem a desenvolver uma ‘‘competência específica’’.
‘‘O mercado não quer mais um trabalhador que domine uma técnica específica e saiba executá-la, mas alguém que entenda por que determinada coisa é feita daquela maneira e que consiga situar o processo dentro de um contexto mais amplo’’, diz Francisco Aparecido Cordão, membro do Conselho Nacional de Educação e relator das diretrizes curriculares para o ensino técnico, em fase de elaboração.
A mudança é consequência do processo de globalização da economia, bem como da difusão acelerada das tecnologias de informação e de comunicação, dois processos que ocorrem de maneira articulada, alterando profundamente as relações de trabalho.
‘‘Diploma não é garantia de emprego. Acabou a idéia de que uma pessoa sai da escola, consegue emprego e trabalha na mesma empresa a vida toda’’, diz Márcia Hasche, consultora de recursos humanos. Essas alterações estão forçando os sistemas educacionais a se reestruturarem de modo a formar cidadãos capazes de ‘‘aprender a aprender’’ durante toda a vida. A escola deve dar condições para que as pessoas desenvolvam competências que as tornem capazes de se manter atualizadas. É o que a Unesco (órgão das Nações Unidas para o fomento da educação e cultura) entende como uma formação que garanta a aquisição de habilidades baseadas em uma combinação de aptidões. Essa formação inclui informações sobre novas tecnologias e culturas estrangeiras, línguas e deve estar adaptada a um programa de educação continuada. Para a Unesco, os governos têm papel fundamental tanto no que se refere à formulação de políticas quanto à garantia de recursos e financiamentos.
O Brasil está tentando caminhar nessa direção com a reforma do ensino profissionalizante, atualmente em andamento.
Um dos principais focos do processo é o ensino técnico que, desde 97, passou a ser desvinculado do ensino médio (antigo 2º grau). Com a reforma, os currículos técnicos foram estruturados em módulos para que o aluno possa desenvolver seus estudos segundo suas necessidades e possibilidades, além de permitir que quem já esteja trabalhando volte a estudar para complementar a sua formação.

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