Unesco cria Reserva da Biosfera no Pantanal
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sexta-feira, 10 de novembro de 2000
Agência Estado De Campinas 
A Unesco anunciou ontem, em Paris, a criação de uma Reserva da Biosfera no Pantanal Mato-grossense e a ampliação da Reserva da Biosfera do Cerrado para o norte e o leste do Distrito Federal, multiplicando seu tamanho original por dez. É um apoio fundamental para reforçar a importância da conservação destes ecossistemas e ocorre no momento em que o Brasil termina, com sucesso, uma longa negociação com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), para obter um empréstimo de US$ 165 milhões para o Programa Pantanal, declarou o ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho. Ele pretende implantar uma reserva em cada bioma brasileiro e as próximas propostas à Unesco devem ser as da Amazônia Central e da Caatinga.
As Reservas da Biosfera são áreas de conservação reconhecidas internacionalmente e criadas pela Comissão Internacional do Programa Homem e Biosfera, da Unesco, órgão das Nações Unidas. Existiam 324 delas em 85 países até ontem, quando foram criadas mais duas dezenas. Cada Reserva da Biosfera inclui três zonas: de preservação - ou zonas-núcleo - em geral representadas por parques nacionais, estaduais ou reservas já estabelecidas; de amortecimento, no entorno das unidades de conservação, e de transição, onde há mais flexibilidade na ocupação humana e se incentiva o desenvolvimento sustentável.
A Reserva da Biosfera do Pantanal tem 25 milhões de hectares, é a terceira maior do mundo e nasce com grande apoio dos governos estaduais e de organizações não-governamentais (ONGs).
A Reserva da Biosfera do pantanal tem 15 zonas-núcleo, incluindo os parques nacionais do Pantanal, da Chapada dos Guimarães, das Emas e da Serra da Bodoquena; os parques estaduais da Serra de Santa Bárbara, das Nascentes do Alto Taquari e do Pantanal de Rio Negro.
Já a Reserva da Biosfera do Cerrado, com a ampliação anunciada ontem, passa a ter 2 milhões de hectares e ajudará a proteger o segundo grande ecossistema brasileiro mais ameaçado (o primeiro é a Mata Atlântica). Ela tem duas zonas-núcleo: O Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros e o Parque Estadual da Terra Ronca, onde há uma grande concentração de cavernas atravessadas por rios, que fazem a terra roncar.
No extremo norte da reserva ainda se localiza o Quilombo Kalunga, de ex-escravos fugidos de minas de ouro, com cerca de 250 mil hectares. A região vive de agricultura de subsistência e está se convertendo num novo endereço de ecoturismo, com seu terreno acidentado e dezenas de cachoeiras.
O Brasil conta, ainda, com a Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, criada em 1991 e consolidada através de um conselho paritário, com metade dos membros de órgão de governo e metade da sociedade civil. Sua área é de 29 milhões de hectares, a segunda maior do mundo, atrás apenas da Reserva da Biosfera da Groenlândia, que protege uma região gelada. A Reserva da Biosfera da Mata Atlântica abrange toda faixa de remanescentes de floresta atlântica, desde o Rio Grande do Sul até o Ceará, incluindo o leste de Minas Gerais e uma área especial, a do Cinturão Verde da Cidade de São Paulo.


