A Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) apresentou no Rio de Janeiro, ontem, as Escolas de Paz, um projeto que dará aos jovens que vivem em áreas pobres ou violentas o acesso a cultura, esporte e lazer.
Conforme explicou Jorge Werthein, representante da entidade no Brasil, um estudo realizado pela Unesco mostra que, de 1989 a 1998, a violência no Rio aumentou 217% e os mais atingidos são os jovens de 14 a 24 anos, principalmente nos fins de semana. O aumento da violência e sua crescente banalização tornaram necessário ‘‘investir para melhorar a qualidade de vida da juventude, com um projeto de caráter preventivo’’.
Em colaboração com o governo do Estado, a Unesco pretende abrir nos fins de semana as portas de 300 escolas do estado, das quais 110 começaram a funcionar em janeiro com resultados tão positivos que a entidade recomenda a estratégia a todo o Brasil.
Apesar de estarem localizadas em áreas de risco, não houve incidentes nestas escolas. Segundo dados da Secretaria Estadual de Educação, 450 pessoas passaram nos fins de semana por estes locais, nos quais a Unesco e o governo do Rio já investiram mais de US$ 1 milhão.
O projeto pretende que jovens considerados ‘‘socialmente vulneráveis’’ por viverem em bairros violentos e pobres exerçam atividades esportivas e culturais. Indiretamente, se deseja reforçar o papel das escolas. Na verdade, ‘‘buscar o modelo de escola do século XXI’’, segundo a Unesco, bem como incentivar a participação das famílias na educação, criar um espaço alternativo para fazer frente à violência e resgatar nestes alunos a auto-estima e o sentimento de cidadania.
‘‘A violência cometida contra jovens é consequência de um processo de exclusão social e provoca um sentimento generalizado de vulnerabilidade (...) O risco e o contato com a morte violenta criam um ambiente de incertezas e insegurança, que impede que se aprenda conceitos como liberdade, justiça e igualdade’’, explicou Werthein.

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