Unesco anuncia criação de escolas de informática em assentamentos
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 31 de maio de 1999
Por Hugo Marques, especial para a AE 
Brasília, 01 (AE) - A Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) anunciou hoje a criação de 14 "escolas de informática e cidadania" em assentamentos. O objetivo é treinar mão-de-obra, adotar o ensino a distância e qualificar pessoal para gerenciamento eletrônico de cooperativas agrícolas. A Unesco pretende doar computadores para todos os assentamentos da reforma agrária no País.
O projeto, que nasceu no Ministério de Política Fundiária, ganhou o apoio dos sem-terra e do Comitê para Democratização da Informática (CDI). Os primeiros assentamentos a receber computadores são os dos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Espírito Santo.
O representante da Unesco no Brasil, Jorge Werthein, disse que as escolas de informática serão similares às do CDI. Inicialmente devem ser formados 1.400 alunos, ainda em 99. O CDI vai treinar os primeiros 56 instrutores de informática, que depois se multiplicarão nos assentamentos.
Nas próximas semanas a Unesco vai entregar 116 computadores, 20 impressoras e 108 mesas nestes quatro Estados. Jorge Werthein explicou que a Unesco está fazendo uma campanha entre empresas e organismos nacionais e internacionais interessados em doar computadores e equipamentos.
O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) já doou os primeiros 20 computadores. A Organização Internacional do Trabalho (OIT), a International Business Machines (IBM) e o Banco Mundial (Bird) também mostraram interesse no projeto.
Werthein disse que a Unesco vai aceitar equipamentos usados desde que possam servir para treinamento em informática, com software atualizado.O representante da Unesco acredita que esse é um projeto com baixo custo e grande alcance social, que atende crianças, adolescentes e adultos. Ministro - Na próxima semana, Werthein será recebido pelo ministro de Política Fundiária, Raul Jungmann. Werthein disse que conversou com o líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), João Pedro Stédile, e recebeu a promessa de apoio total ao projeto.
Ojstivos - Os objetivos de levar a informática aos assentamentos é capacitar mão-de-obra, informatizar as cooperativas formadas pelos assentados, garantir melhores preços para os produtos e melhorar a educação da comunidade. O representante da Unesco ressalta a função educacional do projeto
pois todos os assentados poderão ter acesso à Internet e pesquisar nas bibliotecas virtuais, por exemplo. "Este é um projeto que vai formar e fortalecer a cidadania", disse.
O projeto deve ser estendido a todo o País.


