Unesco acusa países ricos de reduzir recursos dados aos países pobres e pede mais investimentos em educação
Por Demétrio Weber Enviado especial
Recife, 01 (AE) - As empresas multinacionais e os governos de países ricos devem investir em educação nos países pobres. Foi o que defendeu hoje o diretor da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), Colin Power, como forma de intensificar o combate às desigualdades sociais e evitar instabilidades políticas. "O lucro depende da estabilidade", disse Power, que ocupa o cargo mais elevado na área de educação da Unesco. "É preciso dar os anéis para manter os dedos".
O diretor da Unesco acusou os países ricos de diminuir o volume de recursos destinados às nações subdesenvolvidas. "Os ricos não estão ficando mais ricos, mas mais malvados", declarou ele, num dos intervalos da reunião de ministros da Educação dos nove países em desenvolvimento mais populosos do mundo (E-9), que termina amanhã (02) em Jaboatão dos Guararapes, na região metropolitana do Recife.
A preocupação é com a distância que separa as populações de países ricos e pobres na área educacional, em especial diante da revolução tecnológica em curso no mundo. Uma vez que a tecnologia não está disponível em condições de igualdade entre os países, é natural que contribua para intensificar as desigualdades. Daí o discurso de Power em defesa do investimento de empresas e governos do Primeiro Mundo nos países em desenvolvimento.
Analfabetos - Com mais de 3 bilhões de pessoas, os países do E-9 - Brasil, México, China, Índia, Indonésia, Paquistão, Nigéria, Bangladesh e Egito - concentram mais de 100 milhões de analfabetos. "Numa sociedade globalizada, o que ocorre num país tem reflexo nos demais", afirmou Power, para quem bons indicadores educacionais são condição indispensável ao desenvolvimento econômico. "Um povo sem educação nunca vai decolar".
Para o ministro da Educação, Paulo Renato Souza, o setor privado deve investir em educação "por uma questão de compromisso social". Paulo Renato lembrou que o Ministério da Educação (MEC) mantém parcerias com centenas de empresas e, em março, deve anunciar um projeto com a participação de bancos internacionais privados.
Divergências - Os ministros da Educação dos países do E-9 devem aprovar, amanhã, a declaração do encontro, com propostas a serem levadas à Conferência Mundial de Educação para Todos, com a participação de mais de 180 países, em abril, no Senegal. O texto deveria ter sido aprovado hoje, mas divergências na sua elaboração provocaram o adiamento.
Paulo Renato defendeu que o E-9 seja "repensado" após a reunião no Senegal. Para o ministro, o grupo cumpriu seus objetivos, ao definir metas e promover conferências nacionais em cada país. Agora, os problemas são diferentes e cada país deve buscar soluções para suas questões específicas, segundo o ministro. "O que nós precisamos hoje é diferente do que a China precisa", concluiu Paulo Renato.





