UnB quer alcançar o padrão internacional de ensino, diz reitor
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sexta-feira, 10 de dezembro de 1999
Por Chico Araújo, especial para a AE 
Brasília, 10 (AE) - Embora satisfeito com os resultados do Exame Nacional de Cursos, o provão, o reitor da Universidade de Brasília (UnB), Lauro Morhy, disse hoje que isso ainda não é tudo. Morhy anunciou que a UnB trabalha para inserir seus cursos e pesquisas no padrão internacional de ensino. "A UnB quer, também, ser nota A no mercado externo", disse. No provão, oito cursos alcançaram a nota máxima e apenas um, o conceito B.
Além disso, o curso de engenharia ficou "sem conceito". Segundo o reitor, alguns dos cursos e pesquisas da UnB já estariam inseridos no padrão internacional. Entre as áreas, Morhy destaca a de biologia molecular, de proteínas, sismologia, estudos ecológicos, desenvolvimento sustentável, eletrônica, física e econonia. Para atingir esse nível, a UnB sempre investiu na formação dos docentes e nas melhorias instucionais.
A proposta do reitor Lauro Morhy é construir "uma universidade à frente de seu tempo", na qual a ciência e o desenvolvimento estão em primeiro plano. "Ou seja, essa universidade tem que estar sempre antecipando as soluções para o País". Morhy avalia que o resultado provão, divulgado ontem pelo Ministério da Educação (MEC), veio confirmar a expectativa de trabalho da instituição, além de aumentar a responsabilidade da UnB por um ensino de melhor qualidade. "Nossa torcida é que todos tenham avaliação A no Brasil". O reitor avalia também que esses resultados motivaram os alunos.
A UnB, na época do regime militar, sofreu baixas em sua equipe de professores que precisaram deixar o Brasil. Hoje, a universidade tem hoje 1.384 professores e, desse total, 1.231 possuem titulação de mestres e doutores. Segundo Morhy, o índice é dos maiores das universidades brasileiras, que em média possuem em seu quadro de professores 30% de mestres e doutores. Além da qualificação dos professores, o reitor entende que o vestibular e o Programa de Avaliação Seriada (PAS) têm sido decisivos para manter a UnB na dianteira do ensino nacional em termos de qualidade.
Esses métodos de ingresso no ensino superior - por serem bem rígidos - buscam talentos, e o resultado são as boas notas que a UnB têm conseguido no provão. Recuros próprios - A atualização de laboratórios e do acervo da biblioteca como fatores que propiciam a qualidade de ensino na UnB. No caso dos laboratórios, segundo Morhy, parte dos recursos é obtida por meio de projetos científicos de pesquisadores da UnB, fora ou dentro do País. O reitor explica que a parcela do governo federal foi de apenas R$ 300 mil este ano. "É preciso o governo assumir que essa área é estratégia e, portanto, deve ser apoiada continuadamente".
Morhy explica que UnB também investe parte dos recursos próprios - obtidos com o aluguel de imóveis, prestação de serviços, posto de gasolina e a realização de concursos - na modernização dos laboratórios, da biblioteca e no pagamento de pessoal. Atualmente, a universidade mantém com recursos próprios cerca de mil servidores, entre os quais professores provisórios.


