Uma vida dedicada ao tratamento do câncer
Quando o médico londrinense Antônio Amarante Neto, de 64 anos, se formou na Universidade Estadual de Londrina (UEL), o câncer ainda era tratado como "doença ruim". Hoje, 40 anos depois, ele reconhece que houve muitos avanços na sociedade, mas avalia que o tabu ainda não foi completamente quebrado. "O medo da palavra câncer ainda é muito forte, pois as pessoas consideram uma doença de alto índice de mortalidade, apesar de muitos tipos da doença serem curáveis", afirma.
O cancerologista conta que até hoje é muito questionado pela escolha de tratar pacientes com câncer. "Eu sempre tive interesse por essa área, pelo estudo dos tumores e por poder ajudar as pessoas. Se o tempo voltasse, faria de novo [a especialidade]." Segundo Amarante Neto, a Cancerologia exige muito do profissional, mas todo o esforço é recompensado. "A Cancerologia é diferente das demais especialidades porque a ligação com o paciente não acaba. Não é como outras doenças que o paciente se cura e não retorna. Criamos vínculos de uma vida e, ao mesmo tempo, aprendemos a ver a vida de forma diferente."
Amarante Neto acredita que ainda há muito espaço para profissionais na área de Cancerologia. "Os hospitais precisam de indivíduos especializados, é uma tendência. Apesar de haver cidades bem estruturadas, não há tantos serviços no País para atender a população", analisa. O médico elenca algumas qualidades indispensáveis aos novos profissionais. "O cancerologista de hoje tem de estar pronto para orientar, conduzir o tratamento. A confiança na relação com o paciente tem de ser mútua. Também é preciso preservar a qualidade de vida do paciente, respeitando sua vontade".(C.F.)





