Uma semana após temporais, moradores sofrem com estragos
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quarta-feira, 24 de outubro de 2018
Vítor Ogawa<br> Reportagem Local 
Uma semana depois dos temporais acompanhados por vendavais que atingiram Londrina, muita gente ainda luta para reconstruir o que perdeu com a destruição provocada por esses fenômenos climáticos. Uma das regiões mais afetadas foi a zona norte. O servente de pedreiro José Roberto de Souza, 49, que mora no Jardim Nova Olinda (zona norte), até agora não conseguiu recursos para fazer os reparos. Ele teve a casa totalmente destelhada e ainda está com o imóvel totalmente descoberto. "Isso aqui não foi um vendaval. Foi como se fosse uma bomba. O telhado do vizinho voou contra o meu e acabou destelhando tudo. Eu estava em casa e corri, porque começou a voar tudo. As minhas telhas sumiram. Nem sei onde foram parar", relatou.

Segundo ele, o pessoal da Defesa Civil não passou pela casa dele e ele também não teve tempo de buscar lonas para cobrir a casa. "Estou desempregado. Preciso de serviço para conseguir dinheiro para consertar. Preciso das telhas, das madeiras para o telhado e todo o resto. Perdi também a comida que tinha em casa, mas ganhei uma cesta básica da vizinha", destacou. Enquanto não consegue reparar a casa, Souza tem dormido na casa do vizinho.
O caminhoneiro aposentado José Carlos Antero, 57, que também reside no Nova Olinda, também teve a casa totalmente destelhada. Uma das paredes da casa de madeira foi destruída pela telha que voou de outra casa e acabou atingindo a perna dele. "Eu tinha acabado de fazer uma cirurgia para hérnia em minha barriga e eu não posso carregar peso. Estou contando com a ajuda de vizinhos que não tiveram a casa atingida para reformar o que for possível", declarou. Com uma aposentadoria de R$ 1.000, ele afirmou que possui dificuldades para arcar com as despesas de reparo", apontou.
Um dos vizinhos de Antero é o pedreiro Reinê de Melo, 58, que estava ajudando o amigo a levantar a parede da casa dele. "Sou pedreiro profissional e estou ajudando ele a reformar a casa dele. A gente que pode tem que ajudar quem não está em condições de fazer isso", destacou.

Nos prédios dos condomínios residenciais Guilherme Viscardi, Anselmo Vedoato, Carlos Machado e Abel Chimentão, que também ficam no Nova Olinda, o estrago também foi grande. O síndico do Guilherme Viscardi, Marco Antônio Alves, disse que todos os 15 blocos do residencial foram destelhados. "O regulador do seguro já foi ao condomínio e fez vistoria prévia, mas estou tendo dificuldades para encontrar profissionais para fazer o orçamento. Como são muitos prédios, os prestadores de serviço sobem em apenas um prédio e apresentam um valor aproximado para todos, mas a seguradora exige que o orçamento apresente a quantidade exata de telhas a serem trocadas em todos os prédios e o valor da mão de obra. Quando os prestadores de serviço ficam sabendo dessa exigência, desistem de fazer o orçamento", declarou o síndico. Como são necessários três orçamentos de empresas diferentes, a dificuldade é grande. Diante da possibilidade de chuva nos próximos dias, Alves disse que muitos apartamentos "devem se molhar". "Estamos com algumas equipes colocando lona, mas o problema é que os ventos acabam arrancando elas. Estamos correndo contra o tempo para resolver isso", declarou.
Na zona leste, a auxiliar administrativa Luciane Cristina Bergamin, 40, que mora no Jardim Ideal, contou que uma árvore caiu sobre o muro da casa dela na quinta-feira. Ela disse que havia feito o pedido de remoção de três árvores que ficam na frente da casa dela "há muito tempo". "A princípio a gente achou que tinham autorizado o corte das três árvores, mas depois constatamos que só autorizaram o corte de duas delas. Mas ninguém vinha cortá-las. Sempre alegavam que um estava de férias, outro estava de recesso. No ano passado já havia caído uns galhos, que atingiram o telhado da casa e quebraram o para-brisa do carro do vizinho. E os galhos que causaram isso foram justamente da árvore que não autorizaram o corte", reclamou a auxiliar administrativa.
Bergamin, que é cadeirante, passou a enfrentar problemas de mobilidade porque não consegue transitar pela calçada com a árvore caída. "A gente tem que andar na rua, mas infelizmente não é todo mundo que respeita. Não dá para andar ali", apontou. A mãe dela, a aposentada Maria Eugênia Bergamin, 72, disse que há cupins nas árvores que permaneceram e há risco de quedas dos galhos "com qualquer vento". "No ano passado já troquei 15 telhas de minha casa por causa de galhos que caíram. Eu moro aqui há 30 anos e nunca tinha visto um vento tão forte assim. Esse é o terceiro pedido que a gente fez para remover as árvores. Agora vou ter de arcar com as despesas do conserto do muro, mas eu ganho um salário mínimo e meio como aposentada. Se eu gastar esse dinheiro com o conserto do muro, não vou ter dinheiro para a comida", afirmou.

Causa de muitos transtornos durante as chuvas, a queda de árvores tem trazido preocupação à Secretaria Municipal do Ambiente, que não tem conseguido atender aos pedidos de poda e erradicação de árvores na cidade. Segundo a administração, falta pessoal para cumprir a demanda. "Temos um plano para a erradicação de 3.000 árvores da cidade, que estão condenadas. Estamos num processo de licitação e esperamos que no início de 2019 comecemos os trabalhos. O plano é conseguir eliminar mil por ano", explicou Gilmar Pereira, secretário municipal do Ambiente.
Atualmente, a prefeitura conta com cinco motosserras, mas por falta de pessoal, não efetiva a compra de outras 20, consideradas necessárias para os trabalhos. "Estamos conversando com a Sercomtel e a Copel, que já fazem o trabalho de poda, para acertar o que é preciso. Eles mesmos já poderiam fazer a erradicação. Há muitas árvores inadequadas, com 30 metros de altura em áreas com rede elétrica", avaliou Pereira.
O presidente da CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização) Marcelo Cortez afirmou que a companhia já retirou mais de 400 caminhões de galhos e resíduos verdes desde quarta-feira. "Infelizmente foram dois vendavais. Quando estávamos vendo os estragos de quarta-feira, na quinta-feira veio outro temporal. Todas as secretarias estão trabalhando para tentar minimizar o problema e a CMTU está colaborando. Estamos trabalhando perto do autódromo, no Ouro Verde, no Hilda Mandarino e no Parigot de Souza", declarou.
Questionado sobre o prazo para terminar de limpar tudo, ele afirmou que ainda levará dez dias "para dar uma amenizada". "É um trabalho longo e vai muito tempo ainda para poder finalizar esse serviço. A grande dificuldade é o volume de galhos e de árvores caídas. Segundo a Defesa Civil eram 214 árvores, de ocorrências de pessoas que ligaram e reclamaram. Eu acredito que esse número seja maior, pela minha percepção", analisou Cortez.(Colaborou Pedro Moraes)


