Uma rodovia instransitável pela frente
Um motorista que se arriscasse pelo mesmo trajeto cumprido pela reportagem da Folha em dois dias poderia pensar que depois da BR-153 seria difícil encontrar estrada pior pelo caminho. Com esse espírito, na manhã do segundo dia a equipe sai de Ponta Grossa pela BR-376, pedagiada. Os 70 quilômetros até o trevo que leva a Caetano Mendes são bem asfaltados e sinalizados, mas a pista dupla acaba logo e o motorista fica entregue a longos trechos com acostamentos curtos, na grama ou na terra, que deixam o carro ''inclinado'' sobre a pista.
Ao entrar no trevo para a PR-441, trecho conhecido como problemático, os 27 quilômetros até Reserva sofreram restauração recentemente, tanto que as divisões de pistas no asfalto novo em folha não foram pintadas ainda. No perímetro urbano de Reserva, a rodovia vira PR-239 (sim, o mesmo nome do bom trecho que liga Arapoti à PR-090). Na saída da cidade, o psicultor Augusto Dukevicz, que vinha na direção contrária, diz: ''Vocês vão ver o que vão encontrar. Todo dia, passo por essa estrada e há quatro anos pelo menos ela está precisando de reforma. Ontem mesmo, estourou um pneu da minha caminhonete'', informa Dukevicz.
O psicultor tinha razão: até Três Bicos, 48 quilômetros adiante, a rodovia é praticamente intransitável. Em certos trechos, o asfalto vira farelo passar da terceira marcha é suicídio. Somam-se a isso outros problemas, como a falta de sinalização e acostamento; é a pior estrada encontrada pela reportagem. Um ônibus da Prefeitura Municipal de Reserva leva crianças da região rural para casa, e o veículo está tão lotado que muitas têm que ficar de pé.
Nas imediações de Laranjeiras, a 23 quilômetros de Três Bicos, crateras se acumulam na região das fazendas, e se torna até bondade dizer que ainda existe estrada. Em Três Bicos, a rodovia vira BR-487. Novo nome, os mesmos problemas: várias placas anunciam obras, mas o asfalto caótico parece intocado. É o recorde da viagem: 76 quilômetros percorridos, desde o início da PR-239, em duas horas.
A situação só melhora 26 quilômetros depois, em Cândido de Abreu, onde há um bom trecho reformado até o Rio Ivaí, 27 quilômetros adiante, quando a estrada volta a ter buracos, bem menores e mais espalhados. Ainda faltam terceira pista e acostamento. Em Manoel Ribas, a equipe toma a BR-466, com ótimo asfalto, até o trevo de Jardim Alegre (50 quilômetros depois), quando acessa a PR-082.
Ali, o começo assusta, com buracos gigantescos e remendos mal feitos, que deixam a pista ainda mais irregular. Em seguida, a situação se estabiliza: a estrada fica apenas ruim. Até São Pedro do Ivaí, passando por Lunardelli e São João do Ivaí.
Na BR-369, após São Pedro do Ivaí, passa-se por Bom Sucesso e Jandaia do Sul, antes da PR-444, de pista dupla pedagiada e bem conservada. Vinte minutos depois, surge o acesso à BR-369, também paga, quando segue-se também por pista dupla até Londrina.





