Uma radiografia da violência no Brasil
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sexta-feira, 07 de julho de 2000
Yana Marull France Presse 
Nos últimos vinte anos foram assassinadas no Brasil meio milhão de pessoas, o que equivale a um aumento de 273% no número de homicídios, triste estatística que os brasileiros vivem diariamente e que inclusive conseguiu mudar seus hábitos, segundo especialistas consultados pela AFP.
A violência também se aprofundou: estão aumentando os crimes mais violentos, cada vez são mais frequentes os massacres e homicídios múltiplos, disse à AFP Luiz Antonio Souza, dirigente do Centro de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo.
O Centro fez uma pesquisa em dez capitais do Brasil, a qual inclusive mostra uma mudança de comportamento devido à violência. Podemos dizer que os brasileiros das grandes cidades planejam melhor o dia, aonde ir, a que horas voltar; é uma precaução, disse Souza.
A radiografia da violência não apenas contém cifras mas também causas, segundo o sociólogo. Encontramos um cenário muito parecido ao da América Latina: instituições que não são capazes de promover a paz social, o acesso à Justiça, resolver os conflitos cotidianos, o que se soma a um quadro internacional de drogas e armas.
Segundo ele, a democracia trouxe ao Brasil uma grande expectativa de reversão das imensas diferenças entre ricos e pobres, mas o governo não conseguiu ou é muito lento para reverter a desigualdade social e reformar as instituições de segurança, o que gera a revolta social.
A violência não pára de crescer. Morrem no Brasil 50.000 pessoas por ano somente por armas de fogo, e nas grandes cidades os níveis de violência assustam. Por isso, com o ato desta sexta-feira, Basta!Eu Quero Paz!, esperamos que a sociedade diga não à violência, que nos organizemos para conseguir justiça social, o desarmamento da sociedade e a reforma da polícia, explicou Denis Mizne, diretor do Instituto Sou da Paz.


