Uma questão de equilíbrio
PUBLICAÇÃO
domingo, 04 de setembro de 2005
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
De repente o ambiente parece girar ao redor do corpo e a pessoa perde o equilíbrio. A sensação é de perda da estabilidade corporal. Mas nem sempre o que parece ser uma labirintite, é realmente. Apesar do termo ser comum, a doença é rara.
Muito mais comum, a vertigem paroxística posicional benigna (VPPB) também causa essas sensações. Diferenciar uma da outra é fundamental para o tratamento correto do paciente e até para evitar o uso desnecessário de medicamentos.
O neurologista Ciro Pereira de Rezende Filho, de Londrina, explica que as duas doenças atingem o labirinto, mas têm origens diferentes. Localizado no ouvido interno, o labirinto é um dos responsáveis pelo equilíbrio do corpo, em uma complexa interação com o sistema nervoso central, os olhos, as articulações, os tendões e os músculos.
Labirintite é a inflamação do labirinto, explica o médico, causada por um agente viral ou bacteriano. O que acontece normalmente depois de uma otite, inflamação no ouvido médio, que ''avança'' para o ouvido interno. ''A labirintite é extremamente incomum, rara'', afirma.
Já a vertigem tem um processo mais complexo. E para entender é preciso saber que o labirinto é formado por canais semicirculares, cheios de líquido e revestidos por microcílios.
Cada microcílio deste, ressalta o neurologista, tem na ponta um pequeno cristal de carbonato de cálcio. À medida em que mexemos a cabeça, o líquido se movimenta e faz com que os microcílios também se movimentem. Tal estímulo é repassado ao nervo vestibular, que transmite a informação ao cérebro de que ocorreu uma mudança da cabeça em relação ao espaço. Isso é o que acontece normalmente com o labirinto.
A crise de vertigem acontece quando um ou mais desses cristais se soltam e ficam ''batendo'' nos microcílios quando a pessoa se mexe. Normalmente quando a pessoa está deitada e se levanta ou vira, ou quando está andando e se vira. Isso gera uma informação errada ao cérebro, que a cabeça está se mexendo mais do que realmente está. ''O labirinto fica hiperexcitável'', ressalta.
Apesar de não causar nenhum risco à vida, para quem sofre da crise é sempre um mal-estar, e na primeira vez que se passa por isso a sensação é de morte eminente. ''Para o paciente é um grande mal-estar, que causa vômitos a cada movimento. Em geral, a pessoa não tem a vertigem uma vez só, mas depois pelo menos ela aprende que não corre risco'', afirma.
Ainda não há explicação, segundo o médico, sobre o motivo dos cristais se soltarem. ''O mais descrito na literatura médica é que a vertigem aparece depois de um trauma craniano leve, como, por exemplo, bater a cabeça na porta. Também existe o fator estresse, que pode colaborar, por causar um desequilíbrio bioquímico'', explica.
A grande diferença, da labirintite e da vertigem, aponta o médico, é que a primeira tem sintomas persistentes, independente da movimentação da cabeça. A labirintite pode, inclusive, atingir membros de uma mesma família, já que é uma virose. A outra é ''extremamente passageira'', com crises que podem durar de dois dias a uma semana. Nos dois casos, há tratamentos para minimizar os efeitos da crise (leia texto ao lado).


