Belgrado, 18 (AE-ANSA) - Uma parcela da dividida oposição sérvia desafiará amanhã (19) o regime de Slobodan Milosevic com uma manifestação para pedir a saída do presidente iugoslavo, depois de suas três derrotas em três guerras nos últimos seis anos, que produziram quase um milhão de refugiados.
Vuk Draskovic, o imprevisível e barbudo líder do partido monárquico-clerical Movimento para a Renovação Sérvia (SPO), será o "grande ausente" na manifestação diante o neoclássico edifício do Parlamento Federal Iugoslavo, no centro de Belgrado.
O general Momcilo Perisic, o ex-chefe do Estado Maior do Exército sérvio que recentemente passou para a oposição, também não participará do ato.
Mladjan Dinkic, coordenador dos 17 grupos da oposição que organizaram a manifestação de amanhã, declarou que a demonstração será uma prova para as centenas de milhares de sérvios que querem uma mudança no país.
Dinkic afirmou que a oposição conta com o apoio da Igreja Ortodoxa sérvia, apesar de o único representante que participará do protesto anti-Milosevic seja o bispo kosovar Atanasije, o primeiro dos 20 oradores que discursarão no ato.
Zoran Djindjic, o líder do Partido Democrático, é aparentemente o líder da oposição mais decidido a fazer todo o possível pelo êxito da manifestação de amanhã, a mais importante desde os três meses de protestos anti-Milosevic de 1996.
Em uma entrevista à televisão de Nis, a segunda maior cidade da Sérvia, uns 300 km ao sul de Belgrado, Djindjic admitiu que não se espera "uma grande participação popular".
Apesar de suas previsões pessimistas, o líder do Partido Democrático referiu-se a uma "síndrome indonésia" que estaria contaminando a policía e o exército sérvios - depois de meses de protestos, eles não estariam dispostos a pagar um preço muito alto para defender "um presidente decadente e corrupto".
"Não precisamos de um presidente que não quer ir a Kosovo nem caminhar pelas ruas de Belgrado", lia-se em panfletos distribuídos hoje na capital iugoslava por ativistas do Partido Democrático, convidando a população a participar do protesto de amanhã.
O ato de amanhã começará com o hino nacional sérvio "Boze Pravde" (Deus, dê-nos justiça) e, a seguir, falarão os oradores.
Milosevic, entretanto, não ficará com os braços cruzados diante do protesto opositor e porta-vozes da mobilização disseram temer provocações.
O oposicionista e último prefeito comunista de Belgrado, Nebojsa Covic, advertiu hoje para o perigo de provocações, assinalando que "as autoridades estão se organizando para esta posibilidade".
A agência independente de notícias Vip assinalou que enquanto os chefes do Exército e da Policía são leais a Milosevic, existem sérias dúvidas em relação aos escalões inferiores.
Vip acrescentou que há duas semanas foi realizada uma reunião na qual generais do Exército e da polícia juraram total lealdade a Milosevic e afirmaram que, em caso de graves desordens, estariam dispostos a agir "como o Exército chinês em Tianamen".
Enquanto isto, um juiz de Pancevo, centro industrial próximo a Belgrado, abriu um processo contra Vesna Pesic, líder da opositora Aliança Cívica.
O magistrado pediu provas para julgar Pesic por este ter invocado um "fim" como do ditador romeno Nicolau Ceaucescu e sua esposa, fuzilados em 1989, para Milosevic e sua mulher, Mirjana Markovic. Ele poderia pegar 20 anos de prisão pela acusação.
Assustado, Pesic fugiu para Montenegro, a província rebelde da Iugoslávia cujo governo se opõe a Milosevic.

mockup