Uma nova pílula anticoncepcional abre polêmica nos EUA
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 03 de setembro de 1998
France Presse 
A aprovação de uma nova pílula anticoncepcional, que pode ser tomada depois das relações sexuais, virou motivo de polêmica nos Estados Unidos, na eterna disputa entre partidários do controle da natalidade e adversários do aborto. O novo anticoncepcional, o Preven, em forma de comprimido, pode ser tomado até 72 horas depois da relação sexual. Uma segunda dose (duas pílulas) deve ser ingerida 12 horas depois da primeira. A aprovação do Preven representa um passo significativo para as mulheres por se constituir numa nova opção para prevenir a gravidez não desejada e reduzir o número de abortos, destacou o presidente dos laboratórios Barr, Bruce L. Downey. O fabricante disse que a pílula não tem nenhum efeito sobre a gravidez já constatada.
A reação foi imediata: Trata-se de um aborto, isto põe fim à vida, isto mata crianças, declarou a presidenta da Liga norte-americana para a Vida (ALL), Judie Brown. Segundo ela, este tipo de pílula pode impedir que embriões humanos fertilizados se desenvolvam. Não é contracepção. Trata-se de um medicamento abortivo precoce, muito precoce, afirmou a presidente do Instituto para a Vida. Para estes grupos, o Preven lembra a pílula abortiva francesa RU-486 contra a que sempre lutaram. Aprovada em 1996 pela agência norte-americana encarregada do controle dos alimentos e das drogas (FDA), ainda não pôde ser comercializada nos Estados Unidos. Os laboratórios Barr e a empresa Gynetics, encarregados da comercialização do Preven, afirmaram que não se pode comparar a RU-486 com a nova pílula.


