A aprovação de uma nova pílula anticoncepcional, que pode ser tomada depois das relações sexuais, virou motivo de polêmica nos Estados Unidos, na eterna disputa entre partidários do controle da natalidade e adversários do aborto. O novo anticoncepcional, o Preven, em forma de comprimido, pode ser tomado até 72 horas depois da relação sexual. Uma segunda dose (duas pílulas) deve ser ingerida 12 horas depois da primeira. ‘‘A aprovação do Preven representa um passo significativo’’ para as mulheres por se constituir numa nova ‘‘opção para prevenir a gravidez não desejada e reduzir o número de abortos’’, destacou o presidente dos laboratórios Barr, Bruce L. Downey. O fabricante disse que a pílula não tem nenhum efeito sobre a gravidez já constatada.
A reação foi imediata: ‘‘Trata-se de um aborto, isto põe fim à vida, isto mata crianças’’, declarou a presidenta da Liga norte-americana para a Vida (ALL), Judie Brown. Segundo ela, este tipo de pílula ‘‘pode impedir que embriões humanos fertilizados’’ se desenvolvam. ‘‘Não é contracepção. Trata-se de um medicamento abortivo precoce, muito precoce’’, afirmou a presidente do Instituto para a Vida. Para estes grupos, o Preven lembra a pílula abortiva francesa RU-486 contra a que sempre lutaram. Aprovada em 1996 pela agência norte-americana encarregada do controle dos alimentos e das drogas (FDA), ainda não pôde ser comercializada nos Estados Unidos. Os laboratórios Barr e a empresa Gynetics, encarregados da comercialização do Preven, afirmaram que não se pode comparar a RU-486 com a nova pílula.

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