A perna traseira imobilizada é o único resquício dos maus bocados passados por Belinha em um passado não muito distante. Hoje quem a vê saltitando alegre entre seus novos irmãos de criação mal pode imaginar que essa simpática vira-lata foi encontrada quase morta, gravemente ferida e abandonada no cemitério da Saudade (Zona Norte). Há quinze dias na casa nova, a cachorra é um exemplo dos resultados da campanha de adoção promovida pelo SOS Animal. O sucesso da primeira empreitada fez a ong planejar outra feira para o mês que vem.
Na primeira campanha, 24 dos 26 animais ofertados para adoções ganharam um novo lar. Por conta do problema na perna, Belinha era tida como caso perdido e foi levada para a campanha mais com o intuito de conscientizar a população dos maus tratos contra animais.
Isso até a filha da professora Olésia Santana de Lima, 59 anos, pôr os olhos no animal. ''A gente estava passando quando minha filha viu ela, foi amor à primeira vista; saímos para resolver algumas coisas e quando voltamos ela ainda estava lá. Daí não teve jeito'', conta Olésia.
Na casa da professora, a vira-lata, que tem origens nobres e provavelmente é resultado de um cruzamento com collie, passou a integrar sem problemas uma grande família canina e divide atenção dos donos com mais quatro cachorros: Dadá, Peti, Titi e Babi. Todos de raça e pedigree. ''Na verdade a minha filha estava há muito tempo com vontade de ter um vira-lata'', confessa a mãe.
O único temor da família ao adotar o novo membro era o tamanho de Belinha, já que os outros cães são de raças pequenas. ''Como vimos que era um animal dócil, experimentamos'', diz. Hoje, Belinha tem como principal colega de brincadeiras a Babi, uma pinscher zero de pouquíssimos centímetros de altura.
Amor à primeira vista foi também o que aconteceu com a auxiliar de serviços gerais Laurinda Maria da Silva, 36 anos, e Gabi, uma peluda cachorrinha de raça indefinida que é o novo bebê da casa. Ela viu o animal antes do início da campanha e colou do lado dela até conseguir a adoção.
Com os dois filhos já crescidos, a cachorrinha virou a sombra da dona. ''Eu brinco que ela é meu rabo, sempre atrás de mim'', afirma. O passado desse animal também não deve ter sido dos melhores. ''Ela era muito assustada, nem latia e tem uma carência enorme'', diz a dona.
Para que essas histórias se repitam, uma nova campanha de adoção será promovida pelo SOS Animal no próximo dia 13.

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