Curitiba - Somente em 2012, a Central de Atendimento à Mulher - Ligue 180, da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM-PR), registrou 732.468 atendimentos. Deste total, 88.685 foram relatos de violência física, psicológica, moral, sexual ou patrimonial, o que representa que a cada seis minutos uma vítima de agressão entrou em contato com o 180.
Os dados da SPM-PR também apontam que em 70% dos casos o agressor é o companheiro ou cônjuge a vítima. Acrescentando os demais vínculos afetivos (ex-marido, namorado e ex-namorado), esse dado sobre para 89%. Os 11% restantes são agressões cometidas por familiares, parentes, vizinhos, amigos ou desconhecidos da vítima. Desde 2006 foram registrados 3.058.392 atendimentos à população, um crescimento de 1.577% no período de seis anos.
De acordo com a coordenadora geral da Central de Atendimento da SPM-PR, Clarissa Carvalho, os números são significativos, mas poderiam ser maiores se as vítimas tivessem mais acesso à informação e a campanhas educativas.
Um exemplo, segundo ela, é a quantidade de denúncias de tráfico de mulheres recebidas pelo 180 entre os dias 3 e 7 deste mês. Segundo Carvalho, chegaram até a Central 57 registros deste crime, sendo que no ano passado inteiro as ocorrências somaram 58. "Depois da divulgação da prisão de uma quadrilha na Espanha que foi veiculada em uma emissora de TV, muitas pessoas decidiram entrar em contato porque não sabiam de que maneira isto poderia ser feito. Então ainda tem muitas mulheres desinformadas, o que atrapalha o combate a qualquer tipo de violência, seja no cárcere privado, na agressão física ou psicológica"', ressaltou.
Clarissa também destaca que as atendentes da Central identificam o problema de cada vítima a partir de um questionário. Ao final da ligação, cada mulher decide se quer levar a denúncia adiante. "Fazemos o atendimento e mostramos os órgãos que podem ser procurados em sua cidade, seja uma delegacia, centro de referência etc. A questão é que boa parte desiste de seguir em frente. Isso é extremamente preocupante", completou.
O Distrito Federal lidera o ranking anual do Ligue 180, com taxa de 1.473,62 registros para cada 100 mil habitantes, seguido do Pará (1.023,25) e Bahia (931,57). O Paraná aparece na 16.ª posição, com taxa de 497,90.
Codem
Na tentativa de reverter esta situação, o Paraná vai contar em breve com um banco de dados de violência de gênero, para contribuir no trabalho da polícia e também no planejamento de outros órgãos de defesa da mulher. A medida foi anunciada ontem, durante o primeiro encontro oficial da Coordenadoria das Delegacias da Mulher (Codem), em Curitiba. A reunião também estabeleceu metas e prioridades para as 16 delegacias especializadas no atendimento à mulher vítima de crime neste ano.
"Por ainda ser um crime invisível, ou seja, muitos casos sem denúncia, existe a dificuldade de se precisar a realidade de mulheres que são vítimas de agressão. Temos conhecimento dos registros, mas não de todos as ocorrências", disse Maritza Heisi, responsável pela Codem.

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