São Paulo - O sequestrador do apresentador de TV Silvio Santos, Fernando Dutra Pinto, 22, morreu ontem de forma misteriosa, após sofrer parada cardiorrespiratória na penitenciária em que estava preso em São Paulo, e sem revelar todos os detalhes da sequência de crimes que o tornou famoso. Os advogados que defendem Dutra Pinto denunciaram, e a polícia investiga, a possibilidade de ele ter sido assassinado, por envenenamento ou com uma superdosagem de medicamentos.
Dutra Pinto estava em uma cela do CDP (Centro de Detenção Provisória) do Belém (zona leste) desde setembro de 2001, com 12 presos, incluindo o irmão Esdra e o amigo Marcelo Batista Santos, ambos co-autores no sequestro de Patrícia Abravanel, filha de Silvio.
Patrícia foi sequestrada em 21 de agosto. Uma semana depois, Dutra Pinto invadiu a casa de Silvio e só se entregou após a presença do governador Geraldo Alckmin.
A advogada Maura Marques contou que avisou o sequestrador para que tomasse cuidado com o que comia. Isso depois de receber telefonemas dizendo que ele corria risco de ser envenenado.
Ontem de manhã, ao visitá-lo, a advogada o encontrou sentado em um cadeira de rodas, reclamando dos medicamentos. Dutra Pinto saiu da penitenciária em uma ambulância, após ter tido a parada cardiorrespiratória, sob os cuidados do médico do presídio, Ricardo Cezar Cypriani, que trabalha no sistema carcerário há oito anos.
O sequestrador deu entrada às 12h22 no pronto-socorro do hospital municipal do Tatuapé, onde morreu. Dutra Pinto já tinha sido ouvido em juízo sobre os sequestros de Silvio e Patrícia, mas havia se recusado a falar à polícia sobre o tiroteio em que morreram dois policiais em Barueri (Grande SP) e seria ouvido pelo juiz do caso.
O secretário de Estado da Administração Penitenciária, Nagashi Furukawa, passou a tarde de ontem em reunião com o diretor do CDP e Cypriani. ‘‘Sou o primeiro a reconhecer que não é normal um moço de 22 anos morrer nessas circunstâncias.’’
No último dia 29, segundo o médico do CDP, Dutra Pinto foi atendido alegando que estava com intoxicação alimentar, porque teria comido carne de porco dias antes. No dia seguinte, apesar da melhora conseguida com medicamentos, ele passou a apresentar problemas respiratórios. Tinha febre, reclamava de dor no corpo, mas, segundo o médico, não precisaria ficar internado.
Após passar por raio X, no Hospital do Tatuapé, ele teria retornado e passado a tomar medicamentos.
A direção da unidade diz que não serviu porco, que teria sido entregue pela família - eles negam. O pronto-socorro nega ter atendido Dutra Pinto no dia 1º.

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